Água para todos: SDW desenvolve soluções inovadoras para levar água potável a rincões do país

26 de agosto de 2020

Por Impacta Nordeste

Em mais um capítulo da nossa série sobre as empresas finalistas da 1° Chamada Impacta Nordeste de Negócios Socioambientais, conheça a startup SDW, criadora do Aqualuz, tecnologia desenvolvida pela empresa que realiza o tratamento de água através da radiação solar. Confira!


Água para todos 

O sonho de criança de Anna Luísa Beserra, de 22 anos, era ser cientista. Hoje, a baiana, formada em biotecnologia, é um dos destaques no campo dos negócios de impacto social com a sua startup Safe Drinking Water for All, a SDW, fruto de um trabalho científico desenvolvido por ela ainda aos 15 anos. 

“Em 2013, durante o Ensino Médio, estava aprendendo sobre a seca do Nordeste e a consequência que a escassez de água potável trazia para a população. Um dia, vi o cartaz de divulgação do Prêmio Jovens Cientistas na parede da escola e senti ali uma grande oportunidade de criar algo nesse sentido.”, conta ela.

O projeto criado e submetido por Anna para o prêmio foi o Aqualuz, tecnologia que realiza o tratamento de água por meio da energia solar. Anna acabou não ganhando o prêmio –  felizmente, isso não foi motivo para desistir da ideia. 

Anna Luísa Beserra apresenta o Aqualuz para famílias beneficiárias

O projeto Aqualuz foi pensado para ajudar famílias de baixa renda das áreas rurais do semiárido que mantinham cisterna própria em casa. “Muitos alegam que não conseguem utilizar filtros comuns devido à dificuldade de realizar sua manutenção, ou então pela complexidade do produto, custo ou dificuldade de acesso aos locais de venda.”.

A Aqualuz foi o primeiro projeto da SDW, oficialmente fundada por ela em 2015, quando, então com 17 anos, ingressou no curso de Biotecnologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “No curso, os alunos veteranos e meu professor da disciplina de Empreendedorismo me incentivaram a transformar o meu projeto científico em uma startup – e assim eu fiz.”, relembra.

Aqualuz

O acesso à água potável e ao saneamento básico é direito básico do ser humano. Segundo dados das Organizações das Nações Unidas (ONU), em 2015, 2,1 bilhões não tinham acesso à água potável, enquanto 4,5 bilhões de pessoas não tinham instalações sanitárias geridas de forma segura. No Brasil, existem cerca de 1,4 milhões de cisternas construídas, grande parte delas financiadas no país pelo Programa Cisternas, criado em 2003 pelo governo federal. 

Família beneficiada com o Aqualuz (Foto: Divulgação)

Premiado pela ONU, o Aqualuz é a única tecnologia do mundo destinada ao tratamento de água captada pela chuva e armazenadas em cisternas em regiões remotas e zonas rurais que não utiliza nenhum tipo de aditivo químico no processo de desinfecção da água, apenas radiação solar. 

A montagem do equipamento é feita em apenas 10 minutos e é facilmente adaptável para qualquer tipo de reservatório. Já a manutenção do Aqualuz também é muito simples: basta utilizar água e sabão.

Outro projeto da SDW é o Aquapluvi, uma pia híbrida que permite tanto o uso da água de chuva como do sistema de abastecimento local para funcionar, voltada para espaços públicos de alta rotatividade de pessoas, como pontos de ônibus, hospitais e mercados, e que visa o estímulo a higienização das mãos e prevenção de doenças. O equipamento não precisa de contato humano para funcionar: o acionamento do sabão e água é feito com os pés, com autonomia média de 100 lavagens. 

“Uma vez que a população passa a ter acesso ao consumo de água potável, a incidência de doenças de veiculação hídrica passa a ser menor. Isso pode ser refletido em termos econômicos, visto que os investimentos de saúde para esse fim diminuem. Isso fica ainda mais claro em aspectos sociais: o consumo de água em condições adequada resulta em menos doenças, logo, melhor qualidade de vida. Estando mais saudáveis, as pessoas perdem menos dias de trabalho e estudo, o que significa melhores índices educacional e de renda.”, explica.

Os serviços oferecidos pela SDW são pensados para as empresas que desejam participar de algum projeto de responsabilidade social. A primeira etapa do processo é o Diagnóstico, quando a equipe de especialistas vai até a comunidade para analisar os principais problemas e classificá-los por ordem de relevância. A partir daqui, a equipe desenvolve o projeto de acordo com o mapeamento das famílias que serão beneficiadas. 

A SDW também oferece cursos de pré-capacitação para as famílias entenderem o uso das tecnologias aplicadas na comunidade, além de despertar a consciência dos beneficiários sobre a importância da preservação da água potável e dos recursos hídricos, acesso ao saneamento básico e os benefícios da água para o consumo humano.

Capacitação sobre o Aqualuz. (Foto: Divulgação)

A implantação da solução é feita pela equipe da SDW em conjunto com as famílias pré-cadastradas, para que elas aprendam de forma prática o manuseio do equipamento. Já a etapa de monitoramento é realizada após um período determinado pelo contratante (de seis meses a um ano), e tem o objetivo de analisar a aderência ao equipamento e solucionar algum problema que tenha surgido nesse período. 

No monitoramento, também serão analisadas amostras de água para confirmar a comunidade e aos contratantes a eficiência do equipamento, caso seja destinado ao tratamento de água, quando utilizado seguindo todas as recomendações.

Após a coleta de dados, é feito um relatório de impacto pela equipe da SDW com os indicadores baseados nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O documento é entregue 1 mês após o encerramento do monitoramento.

Desafios

Por ter começado a empreender muito nova, Anna não tinha conhecimento sobre gestão de negócios e nem sobre a parte científica necessária para desenvolver a tecnologia. Também não tinha dinheiro para investir no negócio. Para continuar com a empreitada, passou a estudar sobre gestão empresarial e geração de energia, além de contar com a ajuda financeira dos pais para conseguir moldar o negócio e desenvolver a tecnologia do Aqualuz.

Anna Luisa recebe prêmio da ONU por sua solução. (Foto: arquivo pessoal)

“Paralelamente, achei a sócia perfeita Letícia Nunes (diretora de produto), criamos nossa equipe e construímos um networking incrível, o que nos levou a ganhar algumas premiações e, consequentemente, recursos necessários para investir no negócio e validar a tecnologia. Também conquistamos os primeiros clientes, nos dando autonomia para escalar a empresa.”

Negócios de impacto

“Acredito que devido à popularização do termo ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) no Brasil por pressão do investimento internacional, o setor de negócios de impacto vai crescer ainda mais nos próximos anos. No Nordeste, imagino que a mudança seja um pouco mais lenta em alguns setores. No caso da SDW, onde trabalhamos com clientes/empresas de outros estados do setor de energia, mineração e indústrias que beneficiam comunidades com projetos sociais, acredito que o processo seja relativamente mais rápido, visto que muitas dessas empresas recebem capital externo.”.

Com a vitória da SDW na 1° Chamada Impacta Nordeste de Negócios de Impacto, Anna espera ampliar seu networking pela região e fazer novas parcerias que ajudem a potencializar o impacto da SDW pelo Nordeste, já que atualmente a empresa opera em proporções ainda pequenas considerando o grande potencial de mercado que o setor tem na região. “O empreendedorismo social tem um papel fundamental no desenvolvimento do nosso país, e o momento que estamos vivendo hoje demonstra a necessidade e importância desse setor. Para nós empreendedores sociais, o propósito é o que nos movimenta a buscar o impacto e seguir acreditando no nosso sonho de um mundo melhor, apesar das muitas dificuldades.”, finaliza.

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