Tecnologia digital versus desenvolvimento econômico: uma relação de impacto social

3 de janeiro de 2020

Em nossa História fomos marcados por três grandes eras ou ondas do conhecimento: a era da agricultura, a era industrial e a atual era digital ou da informação (Brasil Escola, 2019 – aqui).

Essas eras significam os esforços gerados em cada época para gerar renda e valor para suas populações. Cada uma é marcada por suas próprias características, cultura e modos específicos que caracterizam as gerações que as viveram e construíram a evolução para as eras futuras.

A era da agricultura marcada pelo trabalho da terra, pelo cultivo. A era industrial que traz a revolução das máquinas fabris, a operacionalização do trabalho, a repetição e a disciplina das fábricas, trazendo com isso uma alternativa à renda familiar de forma diversificada para a população operária da época. Já a atual era, a era digital, a que vivemos hoje já dava seus sinais desde a década de 70 e caminhou, evoluiu e foi além do fenômeno mundial da internet, da rede de computadores e dos softwares, mas nos últimos anos tem vivido os conceitos da automação, da inteligência artificial, da robótica e dos dados, além de outros avanços.

A era digital, apesar de recente, já movimenta um bilionário mercado e a colocação digital por todos os agentes produtivos passa a não ser mais um fator facultativo no atual momento. Entretanto, essa representação ainda não é positiva. Apesar do avanço tecnológico, nossa população ainda não se colocou positivamente frente ao uso das mídias digitais, da comunicação WEB, da construção de conteúdos e do uso da tecnologia digital para impulsionar negócios, a educação e o mundo do trabalho, garantindo mais produtividade.

O brasileiro passa uma média de 9h online por dia, porém, nosso índice de penetração digital é considerado insipiente, estando como 20º no ranking mundial e sendo o 4º país mais conectado do mundo na mesma escala (GOOGLE, 2019). Nessas nove horas de conexão/dia o que a maioria da nossa população faz online?

Em um futuro muito próximo deixarão de existir muitos postos de trabalho e assim novas formas de trabalho passarão a existir também. Não podemos prever essas mudanças, tal pouco construir um caminho óbvio de formação e treinamento para elas, principalmente, para a juventude que ainda está dentro das escolas e universidades, mas sabemos que essa transformação, seja ela como for, é certa. A nova economia está batendo à porta e ela está centrada nas pessoas, na oferta de serviços inovadores e na economia criativa onde serviços tradicionais como brechós, revendedores de cosméticos, maquiadores e lojas ganham outra roupagem, virtual e interativa de se fazer negócios. Porém, nem todo mundo fez essa transição e nem ao menos sabe como se colocar online e expandir suas vendas ou criar, quem sabe, uma nova profissão. Para a maior parte da população brasileira às 9h conectados por dia não vão além da visualização de feeds e do compartilhamento incorreto de informações de fontes duvidosas, o que gera uma desinformação, colapsos na economia pela falta de produtividade e de ações mais concretas.

Se a população brasileira começar desenvolver competências 4.0 e digitais em um processo educacional e interativo temos como incluir mais de 70 bilhões de reais ao PIB nacional apenas ensinando a pessoas, principalmente da base da pirâmide, ao acesso positivo e uso das mídias digitais e sociais (GOOGLE, 2019).

O Social Brasilis já atua nessa área de impacto social desenvolvendo tecnologias educacionais que estimulam pessoas para o futuro das coisas e para desenvolver métricas de desenvolvimento social e econômico através da vivência de programas educacionais que desenvolvam habilidades 4.0 e digitais nas pessoas.

Em quatro anos de atividades e com o alcance de mais de 6 mil pessoas impactadas de forma direta, 86% dessas pessoas utilizando o computador ou o smartphone pela primeira vez para ver algo além ou diferente da rede social. A maior parte das 9h conectados é usada para a visualização de feed’s e stories sem nenhum complemento a renda ou para usar a eficácia das ferramentas das redes sociais para fazer algo que gere trabalho, educação, lazer sadio e interatividade positiva em rede.

A WEB e todas suas ferramentas podem transformar também comunidades e seu futuro, resta saber o que a maioria da população faz enquanto está conectada a ela e como vamos educar essa população para o avanço que ainda está por vir.

Um movimento ou uma nova onda podem iniciar em qualquer e por qualquer pessoa, basta reconhecer o poder que a tecnologia tem para o uso e o acesso positivo que temos a ela.

E você, o que pensa a respeito?

Publicado por:
Emanuelly Oliveira

Especialista em gestão de projetos sócio-educacionais. Possui 20 anos de experiência em movimentos sociais atuando em organizações nacionais e internacionais. Gerente internacional em projetos de desenvolvimento e gestão social pela PMG Internacional. Autora do TED Talk “Em Rede Todos podemos ser empreendedores” realizado no TEDxBlumenau. É fundadora do Social Brasilis, negócio social que atua sobre a educação 4.0 e a tecnologia digital.