Pesquisa global com lideranças de organizações da sociedade civil (OSCs) aponta sustentabilidade financeira como principal desafio, mas destaca otimismo, diversidade de fontes de receita e confiança na capacidade de resposta
O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, em parceria com a CAF – Charities Aid Foundation, lança o Panorama das OSCs: capítulo Brasil, relatório que integra o World Giving Report e apresenta uma leitura aprofundada do cenário das organizações da sociedade civil no país a partir da perspectiva de suas lideranças.
O estudo aponta seis fatores determinantes para resiliência de OSCs: (1) propósito, (2) saúde financeira e operacional, (3) evidências de impacto, (4) pessoas e cultura, (5) parcerias, e (6) contexto. No Brasil, revelou desafios relevantes — especialmente sustentabilidade financeira, atração e retenção de profissionais e mensuração e comunicação de impacto — ao mesmo tempo em que apresenta sinais claros de resiliência e otimismo, com lideranças expressando alta confiança na capacidade de atender à crescente demanda por serviços. Para Paula Jancso Fabiani, CEO do IDIS, “são determinantes para o futuro do terceiro setor a capacidade das OSCs de inovar, fortalecer redes colaborativas, influenciar políticas públicas e comunicar claramente seu propósito e impacto.”
Cresce a pressão sobre as OSCs, mas lideranças demonstram confiança
No recorte brasileiro, a pesquisa reforça uma tendência observada globalmente: o aumento de demandas por serviços e a expectativa de que esse movimento continue. Globalmente, 78% das organizações afirmam que a demanda aumentou no último ano e 83% esperam aumento no próximo. No Brasil, embora o avanço recente da demanda apareça em ritmo inferior ao agregado global, as OSCs brasileiras se destacam pela confiança em conseguir responder ao cenário: entre as organizações que esperam aumento de demanda, 44% se declaram “muito confiantes” de que conseguirão atendê-la — patamar acima da média global citada no relatório.
Sustentabilidade financeira segue como principal desafio
A sustentabilidade financeira é apontada como o principal desafio por organizações no mundo e no Brasil. No capítulo brasileiro, 66% das OSCs selecionaram sustentabilidade financeira como uma das questões mais urgentes. O relatório também destaca que, no Brasil, há ênfase na diversidade de fontes de receita, com média de 3,9 fontes de financiamento por organização. Doadores individuais aparecem como fonte central, reforçando a relevância de fortalecer a cultura de doação no país. O estudo também menciona o crescimento dos fundos patrimoniais como mecanismo emergente de resiliência.
Apesar dessa diversificação, o capítulo Brasil aponta riscos associados à dependência de recursos destinados a projetos específicos e à necessidade de ampliar o acesso a recursos livres, entendidos como essenciais para desenvolvimento institucional, adaptabilidade e continuidade.
Percepção pública e confiança: desafios de reputação convivem com oportunidades de fortalecimento
O relatório mostra uma percepção polarizada sobre a saúde do setor no país. Parte das lideranças reconhece avanços em parcerias e comunicação do impacto; outra parte aponta entraves como baixo reconhecimento público, associação do setor a narrativas de corrupção e concentração de investimentos em poucas organizações.
Nesse contexto, o estudo aponta profissionalização, transparência e uso de tecnologia como caminhos para fortalecer a confiança de doadores e parceiros e ampliar legitimidade pública.
Pessoas e cultura: retenção de talentos e bem-estar no centro da resiliência
A pesquisa também sinaliza que pessoas e cultura permanecem como dimensão desafiadora para a resiliência organizacional, com dificuldades relacionadas a recrutamento, retenção e bem-estar das equipes. Ao mesmo tempo, lideranças relatam forte capacidade de aprendizado e evolução, a análise evidencia que fortalecer equipes qualificadas e engajadas é decisivo para sustentar a expansão de impacto.
OSCs e poder público: parceria reconhecida, com espaço para maior participação nas decisões
O capítulo Brasil registra que as OSCs são vistas como parceiras estratégicas na implementação de políticas públicas e na inovação de modelos de atuação, além de exercerem papel de representação da sociedade civil. O relatório também indica que ainda há espaço para ampliar participação e representação das OSCs nos processos decisórios, especialmente em debates estruturantes do país.
Sobre a pesquisa e metodologia
O Panorama das OSCs: capítulo Brasil integra a pesquisa do World Giving Report: Charity Insights, conduzida entre março e junho de 2025 por meio de questionário online. Globalmente, participaram 3.115 organizações em 27 países; no Brasil, o capítulo reporta 170 OSCs respondentes.
Acesse o relatório completo em www.idis.org.br/conhecimento/publicacoes/






