Impacta Nordeste

Código Vermelho: Por que precisamos reduzir e compensar carbono agora

“Estamos em um código vermelho para a humanidade.” — António Guterres, Secretário-Geral da ONU, 2021.

As palavras de Guterres ecoam com mais urgência a cada novo relatório. O planeta atingiu em 2024 a concentração recorde de 426 partes por milhão (ppm) de CO₂ na atmosfera — o maior nível em 3 milhões de anos, segundo a NOAA. Esse dado não é apenas um número abstrato: ele significa mais ondas de calor extremo, enchentes devastadoras, secas prolongadas e incêndios florestais.

O tamanho do desafio

Em 2023, o mundo liberou 37,4 bilhões de toneladas de CO₂ (IEA). Para colocar em perspectiva: precisamos reduzir quase pela metade até 2030 para manter vivo o objetivo de limitar o aquecimento a 1,5 °C (IPCC).

No Brasil, a situação é paradoxal: somos líderes em biodiversidade, mas também um dos maiores emissores do mundo. O SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de GEE) mostra que quase 50% das nossas emissões vêm do desmatamento e mudanças no uso da terra, seguidos por agropecuária (25%) e energia (27%).

Isso significa que, enquanto discutimos transição energética, o corte raso de florestas continua sendo o nosso “calcanhar de Aquiles climático”.

Impactos já sentidos

O planeta já aqueceu 1,2 °C desde a era pré-industrial. Parece pouco, mas já é suficiente para multiplicar eventos extremos. Em 2023, vimos:

“Cada tonelada de CO₂ que deixamos de emitir ou conseguimos remover da atmosfera faz diferença na vida de bilhões de pessoas.” — Christiana Figueres, ex-secretária da UNFCCC e uma das arquitetas do Acordo de Paris.

O que precisa mudar

Diante desse cenário, não basta apenas reduzir. Precisamos também compensar e remover carbono da atmosfera. As soluções são múltiplas:

No entanto, não podemos cair na armadilha do greenwashing. Neutralizar não substitui reduzir. Ambas as frentes precisam caminhar juntas.

O papel das empresas

Empresas que entendem esse movimento cedo não apenas evitam riscos regulatórios e de imagem, mas também criam vantagem competitiva. O relatório da Deloitte (2023) mostra que 75% dos consumidores já preferem marcas comprometidas com sustentabilidade.

“O futuro é regenerativo ou não haverá futuro.” — Joanna Macy, filósofa ambiental.

O que cada pessoa pode fazer

Reduzir emissões não é apenas tarefa de governos e empresas. Nós, cidadãos, também temos poder real.

Mobilidade

Alimentação

Energia e Consumo

Resíduos

Compensação

Fórmula prática: reduzir ao máximo + compensar o inevitável = impacto real.

O papel dos eventos corporativos e feiras de negócios

Eventos e feiras são mais do que encontros comerciais: eles são plataformas de transformação. Cada metro quadrado de stand, cada viagem de participante, cada material utilizado carrega uma pegada de carbono — mas também um potencial enorme de mudança.

Checklist para organizadores de eventos

Ao adotar essas práticas, os eventos podem se tornar laboratórios vivos de ESG, inspirando empresas e milhares de pessoas ao mesmo tempo.

Transformar feiras e convenções em catalisadores de neutralidade e regeneração não é apenas possível: é urgente. O setor tem a capacidade de mostrar, na prática, que crescimento econômico e responsabilidade climática podem andar juntos.

As emissões de carbono estão em níveis alarmantes, mas ainda temos escolha. A ciência, os números e as vozes globais já nos mostram o caminho. Cabe a nós — líderes, empreendedores, empresas e cidadãos — assumir o protagonismo.

Porque, no fim das contas, não estamos apenas salvando o planeta. Estamos salvando a nós mesmos.

*Fontes: NOAA (2024), IEA (2023), IPCC (2023), SEEG Brasil (2023), Deloitte (2023).

Rafael Vaisman é um empreendedor com mais de uma década de experiência no ramo de eventos. Desde 2013, liderou iniciativas inovadoras, incluindo a Ecohus, uma empresa especializada em projetos ecológicos. Atualmente, Rafael é o CEO da CarbonoB & We Stand, uma nova geração de biocréditos, e uma plataforma líder em soluções ESG para eventos. Com sua formação acadêmica, incluindo dois mestrados na Suécia e experiência internacional em organizações como o Banco Mundial, ISS, Fundo de Desenvolvimento do Canadá e Nova Zelândia, se tornou um especialista global em sustentabilidade e inovação. Rafael também é palestrante internacional, compartilhando seu conhecimento e experiência em todo o mundo.

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