Impacta Nordeste

Será que o Dia Mundial da Limpeza vai limpar o planeta?

Em artigo de opinião, Saville Alves reflete sobre os limites e o potencial do Dia Mundial da Limpeza para aproximar a sociedade da agenda dos resíduos e estimular mudanças de comportamento.

Em setembro, desde 2008, é celebrado o “Clean up Day”, em português o “Dia Mundial da Limpeza”. Criado por um movimento da sociedade civil na Estônia, a data foi se espalhando pelo mundo e, em 2018, a ONU reconheceu como uma agenda global. O Brasil faz parte dos territórios onde são realizadas ações que movimentam corporações, organizações do terceiro setor, órgãos públicos e a sociedade civil.

Geralmente, no Clean Up, são realizados mutirões de limpeza em praias, mangues, parques, rios e em outras áreas públicas poluídas, além de ações como oficinas e jogos educativos, palestras e workshops para trocar experiências e conhecimentos. Os públicos vão desde estudantes até ativistas, gestores públicos e voluntários de empresas.

Mas será que o Dia Mundial da Limpeza vai limpar o planeta?

Imediatamente a resposta está dada: não. Mas se olharmos a partir da perspectiva de como os efeitos subjetivos dos participantes podem gerar desdobramentos práticos é possível atestar que, no mínimo, essa mobilização contribui para que a agenda se torne mais próxima das pessoas.

As atividades possibilitam que o tema chegue ao cotidiano de um jeito lúdico, emotivo e com “mão na massa”. Afinal “o que os olhos em vêem o coração não sente”, então se aproximar do lixo é a melhor forma de combatê-lo.

As ações ainda que tímidas, pontuais e localizadas podem ser o início de uma atuação em comunidades e da estruturação de diretrizes institucionais para criação de programas estruturantes. 

E, como brasileira e baiana, eu sei a força que a arte, a cultura e o entretenimento têm para transformar nossas opiniões, nossos hábitos, comportamentos e constituem a nossa identidade enquanto sujeito e povo. 

O “Dia Mundial da Limpeza” não vai coletar todos os resíduos do mundo, mas a partir dele podemos dar visibilidade à urgência de diminuir consumo, aumentar a reciclagem e evitar que o resíduo se torne lixo, poluindo nossos mares, rios, campos e fauna, chegando até nós. 

Setembro é momento de promover engajamento da população, de unir pessoas com diferentes perspectivas e possibilidades de tomar decisões que geram impacto em escala. Os mutirões são o ponto de encontro e eu espero você lá. Procure a ação que vai acontecer na sua cidade, participe e movimente o lixo para o lugar certo!

Saville Alves é Presidente da ABELORE (Associação Brasileira de Logística Reversa), Sócia e Líder de Negócios da SOLOS, startup de impacto socioambiental que atua para  facilitar descarte correto das embalagens pós-consumo e tem operações de reciclagem nos maiores carnavais de rua do Brasil em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Formada pela UFBA em comunicação social, e com experiência no terceiro setor e em multinacionais, a pluralidade de percepções de Saville a levou a ser eleita, em 2022, pela Forbes uma das 20 mulheres mais inovadoras das Ag Techs. Em 2024, passou a integrar a Rede de Líderes da Fundação Lemann.

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