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E-book apresenta como o Programa Centelha incorporou o impacto socioambiental à inovação

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Publicação da Fundação CERTI reúne resultados da terceira edição do programa, que identificou 3.493 propostas de impacto socioambiental entre quase 21 mil ideias submetidas em todo o país.

A Fundação CERTI publicou o e-book Centelha de Impacto: Como um dos maiores programas de fomento à inovação do Brasil integrou a pauta socioambiental em escala nacional. O material apresenta a experiência de incorporação de critérios de impacto socioambiental ao Programa Centelha, iniciativa nacional de apoio ao empreendedorismo inovador, e reúne dados sobre as propostas inscritas na terceira edição.

A publicação detalha como o programa passou a considerar, além do potencial de inovação e de mercado, a intencionalidade e os resultados socioambientais das soluções propostas. A mudança foi incorporada ao Centelha 3, iniciado em 2025, como uma diretriz transversal, sem a criação de um novo programa.

O objetivo é estimular o desenvolvimento de negócios que combinem inovação tecnológica, viabilidade financeira e geração de impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente.

Mais de 3,4 mil propostas de impacto socioambiental

Segundo o e-book, a terceira edição do Centelha recebeu 20.968 ideias, das quais 3.493 foram identificadas com a temática de impacto socioambiental. O número corresponde a 16,66% do total de inscrições. Outras 3.253 propostas foram classificadas na temática de tecnologia social.

A publicação também apresenta a dimensão nacional do programa. O Centelha 3 teve editais lançados nas 27 unidades da Federação e registrou 53,1 mil empreendedores cadastrados, além de 7,7 mil ideias em rascunho. A edição prevê R$ 155 milhões em recursos e tem a expectativa de apoiar a criação de mais de 1.100 negócios inovadores.

Os números refletem a incorporação da pauta socioambiental a um instrumento de fomento à inovação já estabelecido, ampliando as possibilidades de identificar e apoiar soluções relacionadas a desafios sociais e ambientais desde as etapas iniciais do empreendedorismo.

Dados mostram diferenças entre os estados do Nordeste

O levantamento apresenta informações sobre as propostas de impacto socioambiental em cada estado, permitindo observar diferenças na participação dessa temática entre as ideias submetidas.

No Nordeste, o Ceará registrou 218 propostas de impacto socioambiental entre 1.135 inscrições, o equivalente a 19,21% do total estadual. Na Bahia, foram 177 propostas, correspondentes a 18,10% das 978 ideias submetidas. No Maranhão, a proporção foi de 17,73%, com 169 propostas entre 953 inscrições.

Nos demais estados nordestinos, os dados apresentados no e-book são:

  • Piauí: 146 propostas de impacto, 14,34% das 1.018 inscrições.
  • Sergipe: 76 propostas, 18,01% das 422 inscrições.
  • Rio Grande do Norte: 69 propostas, 15,30% das 451 inscrições.
  • Pernambuco: 109 propostas, 13,49% das 808 inscrições.
  • Alagoas: 191 propostas, 13,42% das 1.423 inscrições.
  • Paraíba: 64 propostas, 12,31% das 520 inscrições.

Os percentuais representam a participação das ideias classificadas como de impacto socioambiental no total de propostas submetidas em cada estado. Os dados ajudam a dimensionar a presença dessa temática nos ecossistemas estaduais de inovação, embora não sejam, isoladamente, uma medida da maturidade ou do desempenho dos negócios de impacto em cada território.

Como o impacto passou a integrar a avaliação

O e-book descreve as mudanças metodológicas necessárias para incorporar a temática ao processo de seleção do Centelha 3. Entre as medidas estão a revisão dos critérios de avaliação, a atualização dos formulários de inscrição, a capacitação das instituições executoras estaduais e dos avaliadores, além da criação de conteúdos formativos para os empreendedores.

A implementação contou com a participação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e da Fundação CERTI. O Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) contribuiu para o desenho metodológico e a capacitação, enquanto o Instituto Sabin apoiou a oferta de conteúdos educativos.

Para que uma proposta seja reconhecida como de impacto socioambiental no contexto do programa, a publicação destaca quatro pilares: a solução do problema social ou ambiental deve estar no centro do produto ou serviço; o negócio deve buscar sustentabilidade financeira por meio da comercialização de suas soluções; o empreendedor precisa demonstrar intencionalidade de impacto; e o projeto deve prever formas de monitorar e mensurar os resultados gerados.

A iniciativa está alinhada à Estratégia Nacional de Economia de Impacto (Enimpacto), que busca fortalecer o ambiente para o desenvolvimento de negócios e investimentos de impacto no Brasil.

O que os dados revelam sobre as soluções propostas

O levantamento também examina os setores e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) associados às ideias inscritas. Entre as propostas classificadas como de impacto socioambiental, os setores de meio ambiente e bioeconomia e o social concentram a maior parte das associações setoriais apresentadas no material.

Na relação com os ODS, consumo e produção responsáveis (ODS 12) aparecem em primeiro lugar entre as propostas de impacto socioambiental, com 18,32%, seguidos por saúde e bem-estar (ODS 3), com 16,46%, e cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11), com 13,68%.

Ao reunir os dados e descrever as mudanças adotadas, o e-book documenta uma experiência de integração do impacto socioambiental a uma política de fomento à inovação com abrangência nacional. A publicação também oferece informações para acompanhar como essa agenda aparece nas propostas de empreendedorismo inovador dos diferentes estados brasileiros.

Acesse o e-book: https://programacentelha.com.br/impacto