Impacta Nordeste

O que vi, ouvi e aprendi sobre impacto e inovação no ecossistema da Paraíba

“O investimento de impacto não é mais assunto acessório, é transversal, é indispensável, é estratégia…” Mayara Costa, durante o evento Papo de Impacto, no Parque Tecnológico Horizontes de Inovação (PTHI).

Na semana passada, a convite do PTHI, participei do Demoday Conectando Startups, do Demoday Expo Favela e do Papo de Impacto. Uma experiência rica para entender como a Paraíba está construindo oportunidades para negócios inovadores e de impacto nascerem. A seguir, compartilho um relato com os principais aprendizados dessa experiência.

Conectando Startups e inovação aplicada ao território

O Conectando Startups é uma iniciativa do Governo da Paraíba que oferece fomento, capacitação e infraestrutura para startups desenvolverem soluções inovadoras em áreas estratégicas para o estado, como tecnologia educacional, turismo sustentável, transição energética e longevidade.

O programa investiu R$ 150 mil em 29 startups. Vi muita criatividade, soluções pensadas para atender problemas reais da indústria, soluções atentas às mudanças climáticas e à preservação ambiental e, principalmente, soluções que partiram da escuta do público 60+ e dos desafios que eles enfrentam.

Economia da Longevidade e inovação que nasce da vida real

Eu gostei muito de assistir aos pitches, conversar com os empreendedores e ouvir atores locais que fomentam esse mercado.
Mas queria destacar a solução de Dona Maria, costureira 60+, que desenvolveu uma bermuda geriátrica como alternativa às fraldas descartáveis — uma peça com cara de roupa, na qual você não perceberia a diferença. A motivação dela foi o irmão, que precisa usar fraldas, mas sentia vergonha. Uma inovação que devolve autonomia e autoestima. Ela apresentou o pitch vestida com a bermuda, toda estilosa. (AMEI!)

Mas porque um edital sobre Economia da Longevidade? A Paraíba é o estado com a maior população idosa do Nordeste, representando 11,5% dos habitantes. Até 2070, essa parcela deve triplicar, chegando a 31,3%, segundo o IBGE. Com renda média de R$ 3.558, os idosos impulsionam a economia prateada, movimentando 20% do consumo nacional, segundo o Sebrae.

Periferias como polos de criação

Também acompanhei o Demoday do ExpoFavela Paraíba, onde empreendedores periféricos da economia criativa apresentaram soluções que resgatam cultura, fortalecem a economia local e valorizam a autenticidade. São empreendedores que dialogam constantemente com o público e conseguem criar embaixadores da marca com naturalidade.

Marcas baseadas em comunidade crescem mais rápido e geram um ciclo virtuoso no território, contratando, fortalecendo e puxando outras iniciativas consigo. A Economia Criativa movimenta cerca de R$ 400 bilhões por ano no Brasil, um segmento que deve gerar 8,4 milhões de empregos até 2030.

Acho muito importante a iniciativa do PTHI em abrir as portas para receber e apoiar, com mentorias e acompanhamento técnico, os empreendedores do ExpoFavela, pois ainda existe resistência em conectar negócios periféricos com espaços formais de inovação.

Papo de Impacto e conexões

No painel que participei com Italo Carvalho e Gabrielle Chagas, falamos sobre o papel das conexões: como os ecossistemas se fortalecem quando compartilhamos metodologias e experiências. Também discutimos estratégias que usamos para ampliar o alcance do nosso trabalho e o cenário atual do setor de impacto.

Um cenário nacional em transformação

Essas experiências conversam com o que os dados do setor de impacto:

Esses números mostram algo importante: o impacto está crescendo como campo econômico no Brasil, e o Nordeste tem um papel estratégico nessa expansão.

O que ficou para mim dessa experiência

O futuro da inovação e do impacto precisa construir uma ponte entre centros de inovação e periferias. Impacto não é tendência; é estrutura de um novo modelo econômico. E, principalmente, não existe transformação real sem incluir quem cria soluções a partir da própria vivência.

Monique Moraes é maranhense e administradora, atua no mercado de impacto social desde 2013. Consultora ESG e Diretora da Su Causa Mi Causa. Tem especialização em Impacto Social (Instituto Amani), MBA em Gestão Empresarial (FGV) e especialização ESG e Stakeholders (FIA). Tem experiência em desenvolvimento de metodologias de impacto social e gestão de projetos. É professora convidada do módulo de Inovação Social e Negócios de Impacto da Pós-graduação de Inovação, Design e Experiência, da Universidade CEUMA

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