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Semana do Meio Ambiente: Conheça ONGs do Nordeste que atuam para preservar a biodiversidade

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As ONGs ambientais possuem uma atuação diversa, preenchendo as lacunas do poder público, realizando tarefas que vão desde a pesquisa e monitoramento de ecossistemas, até educação ambiental, conscientização e advocacy. Conheça ONGs do Nordeste atuam para preservar a biodiversidade da região.

(Foto: Serra do Junco em Messias Targino, RN. Por: Jaime Dantas em Unsplash)

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado em 1972, pela Organização das Nações Unidas – ONU – e é comemorado no dia 05 de junho. A data tem por objetivo conscientizar a respeito da importância de preservar os recursos naturais. Anualmente, a ONU aborda um tema para discussão e reflexão, em 2021 o tema proposto foi a Restauração dos Ecossistemas.

Preservar o meio ambiente e seu manejo de forma sustentável é garantir que os recursos naturais possam ser utilizados de forma consciente e possam ser usufruídos pelas gerações futuras. Essa é uma missão de todos, pessoas, empresas e poder público. Atitudes do dia a dia, como: não utilizar canudo de plástico, não jogar lixo na rua, descarte correto dos resíduos, reciclagem e não desperdiçar água são alguns exemplos de ações que todos nós podemos adotar para preservar o meio ambiente.

No entanto, ações individuais são apenas uma das frentes necessárias para alcançarmos o desenvolvimento sustentável. Essas ações precisam ser acompanhadas, principalmente, por mudanças nos meios de produção de grandes indústrias para reverter as mudanças climáticas que comprometem o futuro do planeta. Segundo estudo do instituto de pesquisas Climate Accountability Institute, os 20 maiores poluidores são responsáveis pro 1/3 de toda a emissão de CO2 no mundo. Todas as 20 empresas listadas no estudo são produtoras de petróleo, gás natural e carvão, um indicador claro da necessidade de mudanças na matriz energética mundial.   

O poder público também tem papel fundamental para a preservação do meio ambiente, seja por meio de regulamentação, fiscalização, investimentos em pesquisa ou outras ações. Até municípios menores podem inovar na hora de preservar o meio ambiente. Um exemplo vem da cidade de Sobral, no interior do Ceará. Um projeto da prefeitura aproveita resíduos orgânicos públicos no paisagismo da cidade. O projeto consiste em aproveitar os resíduos orgânicos gerados pela poda urbana e também dos materiais coletados do Mercado Público Municipal. O resíduo é enviado ao pátio municipal de compostagem e é utilizado como fertilizante para produção de novas mudas e na conservação de áreas verdes. A iniciativa está em sintonia com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em 2010.

Por sua vez, a sociedade civil organizada vem, cada vez mais, exercendo grande pressão para que mudanças concretas sejam adotadas por todos esses atores, além de atuarem diretamente na preservação de ecossistemas. As ONGs ambientais possuem uma atuação diversa, preenchendo as lacunas do poder público realizando tarefas que vão desde a pesquisa e monitoramento de ecossistemas, até educação ambiental, conscientização e sensibilização, além de exercerem um forte trabalho de advocacy.

A região Nordeste do Brasil possui uma grande biodiversidade. A Caatinga, por exemplo, é um bioma exclusivamente brasileiro, ocupando, aproximadamente, 70% da região e 11% do território nacional. Esse bioma apresenta diversas particularidades, sendo afetado por secas extremas e períodos de estiagem, característicos do clima semiárido. O Nordeste também possui uma grande área costeira com diversos ecossistemas marinhos e comunidades costeiras tradicionais.

Diversas ONGs (Organizações Não-Governamentais) da região atuam de diferentes formas para preservar toda essa riqueza natural. Confira algumas organizações do Nordeste que trabalham para a conservação da biodiversidade da região. 

Arapyaú

O Arapyaú nasceu em 2008, fundada pelo empresário Guilherme Leal, um dos fundadores da Natura, inspirado pela crença de que a filantropia pode ser uma força para o bem-estar social, ambiental e econômico. A organização acredita na colaboração como única forma de enfrentar os complexos desafios contemporâneos, valoriza o diálogo e busca conectar diferentes iniciativas e setores – social, privado, público e academia – para a construção coletiva de soluções inovadoras.

Dentro da filantropia, atua no investimento social privado, identificando oportunidades e direcionando, de forma voluntária, recursos financeiros e estratégicos para organizações, redes e projetos que trabalham pelo desenvolvimento sustentável. Sua atuação tem como foco o Desenvolvimento Territorial do Sul da Bahia, Mudanças Climáticas e Cidades e Territórios.

A organização faz parte da Maraé, um grupo formado por empresas, organizações sem fins lucrativos e de investimento de impacto que têm como essência o compromisso com a sustentabilidade em todas as suas dimensões.

Associação Caatinga 

Fundada em 1998, no Ceará, a Associação Caatinga, que atua na conservação e valorização do bioma, e tem como missão promover a conservação das terras, florestas e águas da Caatinga para garantir a permanência de todas as suas formas de vida.

A Caatinga é a vegetação predominante do Nordeste, sendo a única com sua extensão localizada exclusivamente em território brasileiro. Ela abrange todos os seus estados nordestinos e também a faixa norte de Minas Gerais. O estado do Ceará é o que possui a maior parte do seu território formado por esse bioma. A Caatinga faz limite com outros três biomas do país, a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado.

A Associação Caatinga atua através de apoio à criação e gestão de áreas protegidas, restauração florestal, disseminação de tecnologias sustentáveis de convivência com o semiárido, educação ambiental, comunicação para a valorização da Caatinga, apoio ao desenvolvimento de políticas públicas socioambientais e fomento à pesquisa.

Buscando contribuir com a execução de medidas de conservação pautadas nas principais diretrizes globais de sustentabilidade, a instituição tem acumulado uma vasta experiência no desenvolvimento de projetos relacionados com educação ambiental, restauração de habitats, envolvimento comunitário, desenvolvimento sustentável e fomento a políticas públicas apoio a pesquisas científicas. 

Aquasis

A Aquasis é uma ONG, fundada em 1992, com o objetivo de proteger espécies ameaçadas e habitats importantes para a conservação da biodiversidade no CE. Nascida a partir de um grupo de professores e estudantes da Universidade Federal do Ceará e Universidade Estadual do Ceará, o trabalho exercido pela organização busca o envolvimento das comunidades e do público em geral para garantir a proteção dos animais ameaçados e a manutenção das áreas naturais onde eles habitam.

Comissão Ilha Ativa

A Comissão Ilha Ativa (CIA) nasceu de uma demanda local dos moradores de Ilha Grande (PI), em 21 de abril de 2006, para discutir e propor soluções aos problemas do município. Desde 2010 a CIA vem desenvolvendo projetos, participando de conselhos, comissões e comitês, realizando pesquisas e, principalmente, apoiando grupos organizados numa busca constante pela construção de parcerias com instituições locais. A organização também capacita sua equipe técnica nas temáticas de geração de trabalho e renda, conservação e preservação ambiental, educação ambiental, organização e inclusão social e cidadania.

Atualmente, a instituição vem executando atividades com foco em biodiversidade, recursos naturais e populações tradicionais, com os projetos ‘FaunaMar: conservação de tartarugas marinhas‘, ‘Pesca Solidária‘, ‘Ilha Sustentável‘ e ‘Robalo para Sempre‘. A CIA busca atuar junto às organizações comunitárias da região da APA Delta do Parnaíba (PI, MA e CE), procurando construir com estas o desenvolvimento local sustentável.

Instituto Maranhão Sustentável

O Instituto Maranhão Sustentável tem como missão promover e apoiar o desenvolvimento autêntico, pautado nos valores socioambientais, gerando protagonismo social e valorização do patrimônio cultural e socioambiental. Atuam para contribuir com a construção de sociedades mais justas econômica, social e ambientalmente.

Desenvolvem produtos e serviços em bases sustentáveis ativando e articulando oportunidades de cooperação, comunicação para as comunidades, iniciativa privada e poder público. O instituto busca ser referência no estado de ativismo nos campos socioambiental e cultural, promovendo valores como solidariedade, credibilidade e responsabilidade para a inclusão e justiça social.

Dentre os projetos desenvolvidos pelo instituto está Arquitetas em Casa que contribui para garantir direito à moradia digna, segura e sustentável para famílias do Maranhão. O projeto sensibiliza e mobiliza as pessoas para o uso de soluções tecnológicas de construção sustentável e de baixo custo para realizar capacitações de pessoas da região sobre construções de moradias baseadas em técnicas de arquitetura bioclimática e ecotecnologias. Também promove assistências técnicas nessas moradias com prioridades a residências em que mulheres são as provedoras.

ISPN – Insituto Sociedade, População e Natureza

A ISPN é uma organização da sociedade civil sem fins econômicos que atua em Santa Inês (MA). Desde 1990 tem a missão de promover o desenvolvimento com equidade social e equilíbrio ambiental, por meio do fortalecimento de meios de vida sustentáveis e estratégias de adaptação e mitigação às mudanças do clima.

A organização acredita que um dos meios para promover a conservação da natureza e enfrentar as desigualdades sociais é o apoio a povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares no desenvolvimento de atividades sustentáveis em paisagens produtivas.

Para tanto, a organização valoriza os saberes, as práticas locais e as organizações comunitárias, além de apoiar a inclusão socioprodutiva e proteger os direitos das populações do campo. Nesse sentido, busca democratizar o acesso a recursos para projetos comunitários que dialogam com os objetivos globais da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, além de articular e incentivar a participação social para incidência em políticas públicas relevantes para a sociedade e o meio ambiente.

Oceânica

Do Rio Grande do Norte, a ONG Oceânica – Pesquisa, Educação e Conservação, foi fundada em 2002 em busca da conservação dos ambientes costeiro-marinhos, integrando pesquisa científica, educação ambiental e propostas de conservação. Sua principal área de atuação é o litoral potiguar, mas já foram desenvolvidos trabalhos em Fernando de Noronha e no mar do Caribe.

As ações de pesquisa envolvem estudos de mapeamento e caracterização dos meios biológico, geomorfológico e social em áreas estratégicas em função do uso e potencialidade do ambiente.

Já na Educação Ambiental, a Oceânica, trabalha envolvendo educadores e alunos e também na capacitação de pessoas locais e grupos de usuários do litoral. Atua também na organização de campanhas educativas voltadas à conservação dos recursos marinhos.

Além da realização de programas e projetos, a ONG participa ativamente das ações em políticas públicas de caráter socioambiental e na promoção de fóruns de discussão sobre o ordenamento, conservação e sustentabilidade no litoral potiguar.

Sabiá – Centro de Desenvolvimento Agroecológico

A Sabiá, organização não governamental pernambucana, foi fundada em 1993 e trabalha para promoção da agricultura familiar dentro dos princípios da agroecologia. Desenvolvendo e multiplicando a agricultura agroflorestal, também conhecida como agrofloresta ou sistemas agroflorestais.

A ONG tem como missão plantar mais vida para um mundo melhor, desenvolvendo a agricultura familiar agroecológica e a cidadania. A missão expressa o desafio de interagir com os diversos setores da sociedade civil, desenvolvendo ações inovadoras junto ao trabalho com crianças, jovens, mulheres e homens na agricultura familiar. Na perspectiva de que a sociedade viva em harmonia com a natureza e seja consciente, autônoma e participativa na construção de um modelo de desenvolvimento rural sustentável.

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