Diversidade

8 de março: celebrar conquistas, lutar por igualdade e as múltiplas formas de ser mulher

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Para além de um dia manifesto das conquistas políticas, sociais e econômicas das mulheres ao longo dos anos, o Dia Internacional da Mulher é uma data para refletir sobre forma de garantir a igualdade de gênero e sobre as multiplas possibilidades do que é ser mulher.

Cada vez mais o dia 8 de março se reveste de um duplo significado: tanto de celebração das conquistas, como de mobilização para firmar o que foi conquistado e definir novas metas. Muito mais que uma data comemorativa, o Dia da Mulher é uma data de luta, que tem se tornado um momento para debater questões como a igualdade de gênero e o empoderamento.

Nessa data, empresas e organizações buscam promover algum tipo de homenagem às mulheres. No entanto, muitas partem de uma padronização do gênero e raramente contemplam as inúmeras possibilidades do que é ser mulher no mundo. O Dia Internacional da Mulher também pode ser uma data para refletir o gênero além dos padrões impostos pela sociedade.

O portal Impacta Nordeste já contou a história de diversas mulheres com diferentes contextos, perfis e atuações. Mulheres ativistas, mulheres que fundaram empresas, mulheres que lideram organizações, mas principalmente, mulheres que buscam impactar positivamente o mundo para que as futuras gerações de mulheres possam viver em um mundo menos desigual, mais justo e mais seguro. Nos orgulhamos em dar voz a tantas mulheres e nessa data, nada melhor do que relembrar e compartilhar suas histórias.

Confira as histórias de 5 mulheres que estão trabalhando para impactar positivamente o Nordeste e o mundo!

Bárbara Lopes, fundadora da Bensà

Fundada por Bárbara Lopes, em Natal, no Rio Grande do Norte, a Bensà atua para promover a educação empreendedora afrocentrada. A metodologia da startup fortalece mulheres negras oferecendo letramento racial, cuidado com a saúde mental e a mentoria de negócios com foco em produtividade cíclica. Em 2022, a empresa mentorou 50 mulheres e tem planos de dobrar esse número no decorrer deste ano.

Bárbara Lopes, fundadora da Bensà. (Foto: Divulgação)

A história de empreendedorismo de Bárbara começa inspirada na observação dos pais que tinham um comércio de cachorro-quente, aflorou quando ela estava cursando Administração e resolveu abrir uma franquia de loja de bolos e cresceu quando ela optou por abrir uma marca de confeitaria própria e em seguida criar a Bensà. “Quando terminei a faculdade de Administração falei com meu pai e ele me ajudou a abrir uma franquia de bolos, tocamos juntos essa empresa por 10 anos. Depois conduzi uma confeitaria por 3 anos e comecei a fazer um trabalho de mentoria de negócios para mulheres. Elas passaram a me procurar para pedir ajuda para abrir suas empresas, para o plano de negócio e aí fui estudando, me capacitando e gostando muito dessa pegada e decidi focar exclusivamente no programa de mentoria”, afirma a empreendedora, que, além de fundadora, é CEO da Bensà.

Atualmente a Bensà é tocada por cinco mulheres negras, duas delas suas irmãs, a Bianca Lopes, publicitária que trabalha na área do marketing e é BI (Business Intelligence) da empresa e também é co-founder; e Brenda Lopes terapeuta ancestral, que trabalha nos cuidados da Saúde Mental. Também fazem parte da startup a psicóloga Débora Oliveira e Raquel Lopes, que atua na área de TI. 

Priscilla Veras, CEO da Muda Meu Mundo

Outra startup fundada por uma mulher, a Priscilla Veras, é a Muda Meu Mundo. Um negócio de impacto cearense que está expandindo sua atuação e tem levado a tecnologia e análise de dados para as produções da agricultura familiar e de pequenos produtores agrícolas. 

Priscilla Veras, CEO da Muda Meu Mundo (Foto: Divulgação)

A Muda Meu Mundo surgiu em 2019, em Fortaleza, no Ceará. Uma plataforma que conecta o pequeno produtor e o agricultor familiar com o varejo garantindo uma cadeia justa e com impacto positivo de ponta a ponta, gerando renda recorrente para o produtor e análises de ESG para o varejo. A startup cresceu e atualmente atende desde pequenos comerciantes a grandes redes de varejo.

“A Muda Meu Mundo surgiu depois de algumas experiências minhas que me levaram a conhecer a parte rural do Brasil, de outros países da América do Sul e da América Central. Essas experiências fizeram me deparar com produtores que vivem em situação de extrema pobreza, que produzem sua comida, mas ao mesmo tempo não conseguem gerar uma renda porque vendem o produto por um preço muito baixo. E esse preço é muito discrepante entre o valor que o produtor vende e o que chega para a gente no supermercado. A Mundo Meu Mundo existe a partir dessa inquietação de entender o que é essa cadeia produtiva e como poderíamos conseguir resolver esse problema. Daí surgiu a iniciativa de trazer esse produtor para comercializar seu produto na cidade com um melhor preço”, disse Priscilla Veras, CEO e fundadora da Muda Meu Mundo. 

Sophia Prado, CEO da Freelas

Promover a equidade de gênero conectando profissionais mulheres da economia criativa entre si e a quem deseja contratar seus serviços, dessa ideia nasceu a plataforma digital Freelas, fundada pela advogada, antropóloga e pesquisadora de gênero, natural de Natal (RN), Sophia Prado

Sophia Prado, CEO da Freelas (Foto: Divulgação)

A iniciativa surgiu durante a pandemia da Covid-19, com o objetivo de conectar e gerar oportunidades profissionais para mulheres e oferecer um caminho seguro e prático para empresas que precisam fazer contratações temporárias e ainda não adotaram políticas mais inclusivas para isso. 

A Freelas, única plataforma do Brasil que tem como foco a economia criativa e a equidade de gênero, possui mais de 500 profissionais ativas e uma robusta carteira de clientes. “Na realidade, contribuir com a autonomia financeira das mulheres é a grande bandeira da Freelas, mas entendemos que isso vai além da geração de renda direta. Que isso está, também, na oportunidade de aperfeiçoamento contínuo e na rede enquanto espaço de troca e desenvolvimento colaborativo”, explica Sophia Prado, diretora-executiva da Freelas.

Anna Luísa Beserra, CEO da SDW

Fundada por Anna Luísa Beserra, a Sustainable Development & Water for All (SDW) é um negócio de impacto que nasceu na Bahia, tem o trabalho reconhecido pela ONU e já impactou 18 mil pessoas em 15 estados do Brasil, levando o acesso à água potável para as regiões com maior escassez hídrica.

Anna Luísa Beserra, CEO da SDW. (Foto: Divulgação)

A empresa tem o propósito de mudar as vidas de famílias em situação de vulnerabilidade social, por meio do acesso à água potável e saneamento e, consequentemente, promover a melhoria na saúde, educação e renda dessas famílias.

As ações desenvolvidas pela SDW, que têm promovido soluções de qualidade para regiões rurais e demais espaços que sofrem com a ausência dos serviços de saneamento básico, estão alinhadas com ODS 6, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que foram estabelecidos pela ONU como metas a serem atingidas na Agenda de 2030. A SDW tem sido reconhecida internacionalmente por instituições como a ONU, UNESCO, LLYC, MIT e muitas outras.

“Quando pensamos em pequenas comunidades, em regiões rurais e isoladas, percebemos que ainda existe uma grande dificuldade de atender essas localidades de forma sustentável. É nesse ponto que os negócios de impacto social podem colaborar”, disse Anna Luísa Beserra, CEO da SDW.

Jully Neves, Diretora de Impacto da TODXS

A ONG TODXS promove a inclusão de pessoas LGBTI+ na sociedade com iniciativas de formação de lideranças, pesquisa, conscientização e segurança para a comunidade LBGTQI+ em todo o Brasil. Conversamos com a Jully Neves, mulher negra, lésbica, neuroatípica e nordestina, que atualmente é diretora de impacto da TODXS e nos contou sobre o trabalho da organização.

Jully Neves, Diretora de Impacto da TODXS. (Foto: Arquivo pessoal)

A TODXS surgiu em 2016, em Fortaleza, no Ceará, quando um casal foi convidado a se retirar de um bar por estarem de mãos dadas e, por isso, estarem incomodando o “ambiente familiar”. O casal foi expulso do local por ser gay e este foi o real motivo da expulsão. A partir dessa história, Willian Mallmann e em conjunto com outros amigos e amigas fundaram a TODXS. Hoje a ONG desenvolve um trabalho com vários projetos que trazem programas de formação, eventos para compartilhar experiências, acesso a legislação relacionada com a causa LGBTI+, aceleradora de negócios sociais, consultoria especializada em Diversidade e Inclusão, acolhimento psicológico, entre outros. 

Sobre os principais desafios enfrentados pela comunidade LGBTQI+, a atual diretora de Impacto da TODXS Brasil, Jully Neves listou, “a falta de participação e apoio do governo em suas várias instâncias para promover políticas e leis para a população LGBTI+ é um grande entrave. Sem a participação do Estado as organizações sociais ficam muito limitadas em suas ações e projetos. Precisamos também entender que a falta de educação (a começar pela escola) e o acesso a renda é uma das bases para diminuir a lgbtfobia da qual nós sofremos.”