Opinião

Como a Inovação Social Aberta pode gerar soluções para a sociedade

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Em meu primeiro artigo publicado no Linkedin ao definir e distinguir o Impacto e a Inovação Social de campos vinculados à Filantropia, pontuei brevemente que a Inovação Social bebia diretamente da fonte “Inovação”.

Assim, neste meu terceiro artigo e o primeiro publicado no Portal Impacta Nordeste, compartilho – sem nenhuma romantização ou alegoria – a definição de Inovação e como aplicar tal conceito na sua organização através da Open Social Innovation ou em bom português, da Inovação Social Aberta.

O mainstream de termos como “empreender” e “inovar” contribuiu para a banalização da palavra “inovação” e isso gerou uma busca – a qualquer custo – por algo mais “hype”, que “salvasse o mundo” e ainda fosse “inédito”. Ou seja, Pequenos Equívocos & Grandes Erros.

Por isso, antes de qualquer coisa, vamos ao verbete de dicionário:

INOVAR

i·no·var

1 Fazer inovações; introduzir novidades. 2 Produzir ou tornar algo novo; renovar, restaurar.

Para fins mais aplicados de mercado, no campo da inovação, o ato do inovar pode ser compreendido e aplicado das seguintes formas:

1.     Na adoção de uma cultura inovadora: inovação como instrumento/ferramenta para ampliar a própria inovação.

2.     Nos processos:  iniciativas organizacionais e sociais que geram um novo produto ou solução que envolve fatores técnicos, sociais e econômicos.

3.     Produtos ou serviços: novos produtos, novas características em produtos já existentes, além de novos métodos de produção.

Além disso, obrigatoriamente, o ato de inovar precisa dar conta ao menos um desses dois critérios: (i) Novidade; (ii) Melhoria.

No que se refere ao critério “Novidade”, lembre-se: você não precisa ser original, mas precisa ser novo para o usuário, para o contexto ou para uma determinada aplicação. Já o critério de “Melhoria” diz que determinado processo, produto ou serviço somente será uma inovação se for mais efetivo; mais eficiente; mais sustentável (econômica, social, espacial, cultural ou ecologicamente) ou socialmente mais justo do que as alternativas já pré-existentes.

E aí entra o “Open Social Innovation”  ou em uma tradução livre a “Inovação Social Aberta”.

Confira o processo (resumido) de inovação social aberta:

Você deve estar se perguntando:

– Mas como eu vou promover inovação desse jeito se há tantos critérios pra isso?”

Minha dica/primeiros passos: calma, respira e acredita que tem jeito!

Mas, esteja ciente que esse é o preço da verdadeira inovação. Se você se propõe a inovar, sua organização deve assumir alguns dos pontos discutidos aqui. E isso pode trazer benefícios, como a certificação ou prêmio por ser uma instituição verdadeiramente inovadora ao invés de promover a vergonhosa cultura do “Social Washing” ou seja, o Marketing disfarçado de boas ações.

E aí uma dúvida puxa a outra:

– Certo. Eu quero adotar a inovação na minha cultura organizacional, nos meus processos e nos meus produtos. Mas, como dar conta de todas as questões que envolvem isso?

Uma possibilidade realista e executável é implementar uma política de Inovação Social Aberta em sua organização que tenha como objetivo construir pontes entre o Poder Público, o Poder Privado e as Organizações da Sociedade Civil. A ideia é que em conjunto, esses atores gerem soluções cujo valor criado é revertido primariamente para a sociedade como um todo (ou para um recorte de minorias e/ou vulnerabilidade socioambiental) ao invés de para poucos indivíduos. Isso é inovar! Construir um caminho possível para gerar inovação genuína, colaborativa e socialmente propositiva.

Ainda se sente receoso e inseguro pra promover essa transformação? Essas mudanças não acontecem de um dia para o outro. Identificar a necessidade é o primeiro passo, buscar mais conhecimento é fundamental. Neste espaço, vou compartilhar com vocês mais insights e informações para juntos construirmos soluções inovadoras para a sociedade. Deixo aqui o poema “Tempo de Travessia”, de Fernando Pessoa. Boa guinada! 

“Há um tempo em que é preciso

abandonar as roupas usadas

Que já tem a forma do nosso corpo

E esquecer os nossos caminhos que

nos levam sempre aos mesmos lugares

É o tempo da travessia

E se não ousarmos fazê-la

Teremos ficado para sempre

À margem de nós mesmos”

Juliana Serafim é Mestra em Linguística (UFPE), Gerente de Projetos de Impacto e Inovação Social (PMD Pro/PM4NGOs), Especialista (e apaixonada) em Matriz de Indicadores, Planejamento Estratégico, Monitoramento e Avaliação de Impacto de Projetos e Negócios Socioambientais e Professora da Educação Básica. Já atuou como Consultora de organizações como a ONG The Nature Conservancy , da start-up Mete a Colher, do Núcleo de Gestão do Porto Digital e da ONG Somos Professores.

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