Opinião

De onde você debate o Brasil?

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Em artigo de opinião, o maranhense Jovemar do Santos reflete sobre representatividade, narrativas e a centralização dos espaços de decisão no ecossistema de impacto e inovação social no Brasil.

Esse texto será escrito com ER (Emoção Real), então não espere uma enxurrada de dados para narrativas de LinkedIn. Hoje eu não quero que você aprenda nada, eu quero que você se inspire. E começo logo alertando: eu sou maranhense e, por este fato, eu falo cantando. Então, se prepare para dançar comigo enquanto lê este artigo.

De quantos jantares de alinhamento você tem participado? Quantas propostas de projetos de lei você ajudou a redigir? E quantas pessoas nesses lugares eram do Sudeste? Quantas eram do Norte? Quantas eram mulheres? E quantas eram? 5, 10, 100?

E você, sabe quantas pessoas o Brasil tem? O IBGE tem uma resposta bem objetiva para essa pergunta, mas e você? Se sente representada(o) nas pesquisas, nas narrativas que o setor de impacto, inovação social, filantropia… vendem?

Ah! Você sabe que a gente vende, né?

O edital em que alguma OSC ou negócio de impacto se inscreve não é a primeira oportunidade de cocriar algo. E esse é o fio da meada para chegar ao lugar onde se debate o Brasil. Quem define os parâmetros pelos quais estabelecemos paradigmas? E eles nos representam?

Porque quando algo é debatido, estruturado e alinhado com sinergia em um “grande centro”, automaticamente é uma iniciativa nacional. Já uma iniciativa que sai da potência de territórios e ganha o mundo é sempre considerada local, regional ou nichada — ainda que tenha escalabilidade.

Vocês já se perguntaram quanto esforço é necessário para alcançar o Brasil?

Se não sabem, eu respondo: não dá nem 1 km de distância. Às vezes, basta uma narrativa estratégica bem-feita, muito trabalho, muito estudo e uma IA premium para produzir material de agenda setting e, et voilà!: You’re national in Brazil!

E quero deixar bem claro que este não é um artigo de uma região contra outras regiões. Os territórios que concentram dinheiro e poder no país estão jogando o jogo do campo social, do mercado tradicional — já nem sei mais o que é um ou outro.

O que quero deixar aqui como legado é o questionamento: por que você não se posiciona como nacional também? Por que continua aceitando que outros coletem seus dados e criem narrativas vendedoras, que captam recursos em cifras astronômicas e que te sub-representam, se o trabalho que você precisa fazer para ser uma referência em seu estado é o mesmo que você precisa fazer para ser uma referência no país inteiro?

E só para concluir: não que eu acredite que um artigo sem dados nem IA vá fazer o sistema mudar sua prática — dos dois lados, topo e ponta. Mas acredito muito que cartas ao mar sempre acham seus destinatários na hora certa. E essa talvez seja a sua.

Você pode ocupar espaços maiores do que ocupa hoje. Não duvide disso.

E, para quem quiser os dados que serviram de base para que eu escrevesse essas palavras que saíram do meu coração, pode me achar em qualquer rede social ou pesquisar no Google pelo meu nome. Ficarei honrado em apresentá-los e, quem sabe, tomar um café para debatê-los — seja no Araçagy ou em Pinheiros.

Jovemar dos Santos Silva Junior é diretor executivo da ReappMobi, social tech criada no Maranhão para aproximar organizações sociais, empresas e doadores por meio de tecnologia, dados e governança comunitária. Publicitário e empreendedor social, atua com captação de recursos, cultura de doação, ESG e desenvolvimento territorial. É também idealizador do Lembrança de Praia, projeto socioambiental que valoriza o turismo de base comunitária, os saberes tradicionais e a sustentabilidade na Margem Equatorial brasileiro.