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Movimento Futuro Local abre inscrições para encontros comunitários e premiará seis iniciativas com R$ 3 mil

6 mins de leitura

Coletivos, organizações, escolas e redes podem realizar atividades em seus territórios, integrar o Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026 e concorrer a uma das seis premiações de R$ 3 mil destinadas a iniciativas de diferentes biomas do país; no Nordeste, a mobilização é articulada pela integrante da Rede Impacta Nordeste Sabrina Cabral.

Existe uma camada da economia que raramente aparece nas manchetes. Ela não passa por grandes cadeias logísticas, não depende de decisões centralizadas e nem sempre está nos relatórios. Mas sustenta, todos os dias, relações, territórios e modos de vida. Ela aparece na feira do bairro, na produção artesanal, na agricultura familiar, nas cozinhas comunitárias, nas trocas entre vizinhos. É essa dimensão da economia que o Movimento Futuro Local 2026 decide colocar no centro, e agora convida o país inteiro a participar.

A EcoUniversidade, em parceria com a Local Futures (organização internacional que há mais de quatro décadas atua no fortalecimento de economias locais) lança a chamada aberta para que iniciativas, coletivos, organizações e redes criem seus próprios encontros ao longo do mês de junho.

A iniciativa integra o World Localization Day (Dia Mundial da Localização), celebrado em mais de 49 países, e ganha no Brasil uma dimensão ampliada: transformar ações locais em uma articulação nacional contínua.

Um sistema eficiente, porém cada vez mais distante

Nas últimas décadas, o modelo econômico global se organizou em cadeias longas, concentradas e altamente especializadas.

Esse arranjo trouxe escala e eficiência, mas também produziu um efeito menos visível: o afastamento entre quem produz, quem consome e quem decide. Hoje:

  • Os alimentos percorrem, em média, mais de 2.400 km até chegar ao consumidor (IPES-Food)
  • Cerca de 75% da diversidade genética agrícola foi perdida desde 1900 (FAO)
  • No Brasil, 24,2% dos domicílios enfrentam algum grau de insegurança alimentar (IBGE, 2024)

Ao mesmo tempo, territórios com grande riqueza cultural e ambiental seguem com baixo acesso a renda e infraestrutura.

O que se evidencia não é apenas um problema produtivo, mas uma desconexão estrutural entre economia e território.

A chamada: criar encontros a partir do que já existe

A chamada aberta do Movimento Futuro Local convida à criação de encontros em todo o país. Podem participar:

  • coletivos
  • escolas
  • organizações
  • redes
  • grupos informais

Os encontros podem assumir diferentes formas: almoços comunitários, feiras, rodas de conversa, oficinas, vivências ou outras experiências que façam sentido no território.

A proposta não está no formato, mas no que esses encontros ativam: espaços onde a economia volta a ser percebida em escala próxima, conectada às realidades locais.

Visibilidade nacional e prêmio para iniciativas selecionadas

Além de organizar os encontros, os participantes poderão registrar suas iniciativas no Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026, que reúne experiências ligadas a sistemas alimentares, cultura, produção local e organização comunitária.

A chamada também prevê a seleção de seis iniciativas em todo o país, sendo uma por bioma brasileiro, que receberão um prêmio de R$ 3.000,00 cada.

O recurso é destinado ao fortalecimento das ações após a realização dos encontros, apoiando a continuidade das iniciativas em seus territórios.

Mais do que reconhecer, a proposta é criar condições para que essas experiências sigam acontecendo e se desenvolvam.

Comida como ponto de partida

Em 2026, o movimento escolhe os sistemas alimentares locais como eixo central.

A escolha é estratégica: a comida conecta economia, cultura, meio ambiente e saúde ao mesmo tempo.

Ao olhar para o que é produzido e consumido localmente, surgem outras formas de organização econômica, mais próximas, diversas e conectadas aos territórios.

Redes que já existem e passam a se enxergar

O movimento articula iniciativas que já atuam nos territórios e que, muitas vezes, seguem desconectadas entre si.

Entre os parceiros envolvidos estão:

  • Assobio
  • Acolhida na Colônia
  • Bruaca
  • Pé de Feijão
  • Rede de Sementes do Xingu
  • Impact Hub São Paulo
  • Projeto Amana
  • Amazonia Vox
  • Instituto para Futuros Locais
  • Mútua Systems

“Quando você aproxima produção, consumo e decisão, você fortalece economias territoriais e cria relações mais resilientes.

De acordo com Thais Mantovani, co-fundadora da EcoUniversidade, “o movimento e o mapeamento são formas de reconhecer que essas soluções já existem, e que devemos valorizar e dar continuidade a elas. Pois são as soluções comunitárias de base territorial que trazem inteligência para transformações sistêmicas”.

Multiplicadores territoriais: quem leva o movimento aos territórios

Para ampliar o alcance do movimento de forma descentralizada e conectada às realidades locais, o Futuro Local conta com uma rede de 12 multiplicadores territoriais, jovens comunicadores e articuladores, selecionados entre mais de 300 pessoas inscritas em todo o Brasil.

Representando os seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa, os multiplicadores já atuam em seus territórios e possuem vínculos diretos com comunidades, coletivos, redes e iniciativas locais.

Ao longo de Abril, eles passaram por uma formação em localização econômica e mobilização comunitária e são responsáveis por impulsionar o movimento em seus territórios, articulando encontros, fortalecendo conexões entre iniciativas e ampliando a circulação de narrativas locais por meio de redes, feiras, coletivos e espaços comunitários.

Mais do que expandir o alcance do movimento, os multiplicadores têm a missão de fortalecer o que já existe: práticas, culturas, economias e formas de organização territorial que sustentam a vida em diferentes regiões do país.

Caatinga: fortalecendo narrativas locais no Nordeste

Representando o bioma Caatinga, o movimento conta com os multiplicadores locais Sabrina Cabral Souza e Eré Batista da Silva, duas lideranças que atuam na valorização de territórios, culturas e práticas comunitárias no Nordeste brasileiro.

Sabrina Cabral Souza é estudante de Engenharia Civil na UFC, ativista autista e periférica de Fortaleza (CE). Atua com educação voltada para comunidades resilientes e inclusivas e é fundadora da iniciativa Ruma e da consultoria social Sany da Peste, projetos que trabalham com impacto social a partir das realidades do Nordeste.

Além de multiplicadora, Sabrina também é liderança da rede Impacta Nordeste e está à frente da mobilização à nível regional no Nordeste do Movimento Futuro Local, prestando apoio para pessoas e organizações interessadas na realização de atividades em suas comunidades. Para mais informações ou parcerias para promoção do Movimento é só enviar e-mail para sanydapeste@gmail.com ou encontrá-la em suas redes sociais: https://www.instagram.com/sanydapeste/

Já Eré Batista da Silva é indígena do povo Tingui Botó, de Feira Grande (AL), educador popular da Escola de Formação Quilombo dos Palmares, graduado em História pela Universidade Estadual de Alagoas e pós-graduando em Agroecologia pela Universidade Federal de Alagoas. Sua atuação conecta educação popular, agroecologia e fortalecimento cultural dos territórios indígenas e quilombolas.

Conheça os multiplicadores do Movimento Futuro Local 2026 em cada bioma aqui.

Um movimento que começa onde a vida acontece

O Movimento Futuro Local parte de um entendimento central: o futuro não começa do zero. Ele já está sendo construído em diferentes territórios, muitas vezes sem visibilidade ou conexão entre si.

Ao longo de junho, a expectativa é que encontros aconteçam em diferentes regiões, revelando um conjunto de iniciativas que passam a se enxergar como parte de algo maior.

Inscrições

As inscrições para a Chamada Aberta do Movimento Futuro Local estão disponíveis por meio do Termo de Referência da iniciativa, documento que apresenta os objetivos do movimento, os critérios de participação e as orientações para realização dos encontros nos territórios.

Dentro do próprio Termo de Referência, os interessados encontrarão o acesso ao formulário de inscrição, que deve ser preenchido pelas iniciativas, coletivos, organizações, escolas, redes ou grupos que desejam integrar a programação do movimento e o Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026.

A participação é gratuita e aberta a iniciativas de todo o país interessadas em promover atividades voltadas ao fortalecimento das economias locais, dos sistemas alimentares e das conexões comunitárias.

Em caso de dúvidas, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail tamojunto@ecouniversidade.com. Para saber como participar, organizar um encontro no seu território ou conectar sua iniciativa ao movimento, entre em contato com Sabrina Cabral Souza, multiplicadora da Caatinga e articuladora do Futuro Local no Nordeste, pelo e-mail sanydapeste@gmail.com ou encontrá-la em suas redes sociais.

Serviço

Chamada aberta — Encontros Futuro Local 2026
Período de realização dos encontros: 04 de maio a 30 de junho
Para iniciativas, coletivos, organizações e redes
Prêmio: R$ 3.000,00 para cada uma das 6 iniciativas selecionadas (1 por bioma)
Todas as iniciativas participantes entram no Mapa Brasileiro de Iniciativas Locais 2026

Se você faz parte de um coletivo, organização, escola, rede, feira, iniciativa comunitária ou simplesmente deseja construir diálogos sobre fortalecimento das economias locais no Nordeste, esse movimento também pode ser feito junto com você.