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Rede Cenafro impulsiona afronegócios em Alagoas

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Atuando desde 2016 como um hub de criatividade preta, a Rede Cenafro tem a missão de estimular afroempreendedores a desenvolverem seu potencial inventivo e de geração de impacto social

O filho de dona Maria das Dores e de seu Nelson da Silva, nasceu em Arapiraca (AL), cidade distante cerca de 128 km da capital, Maceió.  Jonathan da Silva foi aluno da primeira turma do curso de Administração da Universidade Federal de Alagoas e desde muito cedo sempre teve uma visão humanista e de que iria fazer algo importante em sua vida. “No decorrer da minha vida fui me envolvendo em projetos voltados para a liderança jovem e percebi que a minha verdadeira vocação era despertar no outro aquilo que ele possui de melhor”, disse.

Pela trajetória do Jonathan, percebemos que ele não estava totalmente errado na sua visão que tinha de futuro. Além de administrador, cofundador da Rede Cenafro em Alagoas, CEO da Formmer Afro Consultoria, consultor em Afrofuturismo, Afroempreendedorismo e Gestão de Afronegócios. Ele também faz parte da Coordenação Conjunta da Câmara Empresarial do Afroempreendedor da Fecomércio/AL e, atualmente, é como conselheiro da Escola de Negócios da Reafro e mentor do Programa MentPreta (Reafro e Amil). Jonathan é ganhador dos prêmios da Fundação Tide Setubal para apoio ao desenvolvimento de lideranças pretas (2020) e o de Pretos Empreendedores da Central Única das Favelas – CUFA (2020-2021). 

Jonathan da Silva, fundador da Rede Cenafro, foi contemplado com o prêmio Pretos Empreendedores da CUFA (2020-2021). (Foto: Arquivo pessoal) 

A sua luta pela valorização do afroempreendedorismo teve início em 2016 quando fundou a Rede Cenafro em parceria com outro ex-sócio. “Na época percebemos que mesmo com a divulgação dos estudos que indicavam que a maioria dos microempreendedores eram pretos, percebemos que esta temática não tinha espaço em nosso estado”, lembra. Outro ponto levantado por ele foi enxergar a falta de representatividade na economia criativa. Ele e o ex-sócio começaram a se inspirar em outras iniciativas que já aconteciam pelo país, como a Feira Preta em São Paulo e resolveram fundar em seu estado uma rede local de afroempreendedores que potencializasse e desse visibilidade a esse grupo. 

“Foi assim que em 2017, acrescentamos o nome rede à palavra Cenafro e partimos para desenvolver uma proposta de uma economia criativa preta/afrocentrada baseada na valorização da cultura diaspórica, na ancestralidade e na visão afrofuturista”, afirma.

Rede Cenafro

Atuando desde 2016 com pioneirismo no estado de Alagoas nas questões referentes ao afroempreendedorismo criativo, a Rede Cenafro se define como um Hub de Criatividade Preta com a missão de estimular empreendedores pretos a desenvolverem seu potencial inventivo e de geração de impacto social. A rede funciona como uma vitrine de afronegócios que levam em consideração todo o legado da cultura diaspórica, além de desenvolver uma visão afrofuturista, na qual enxerga a construção de futuros possíveis a partir de uma perspectiva afrocentrada.

Com quase 5 anos de funcionamento, a Rede Cenafro desenvolveu capacitações, workshops e oficinas voltadas para o fortalecimento de afroempreendedores criativos, além de contribuir em parceria para projetos a nível nacional como o Afrolab em 2018.

A Rede realizou cinco edições do Festival Afrocriativo, que visa apresentar um panorama das produções pretas na economia criativa, além de promover intercâmbio de conhecimento e saberes entres artistas, produtores culturais, agentes culturais, comunidades tradicionais, órgãos de apoio e fomento à cultura e público geral, sempre valorizando a identidade preta e ancestral em suas ações.

Além disso, foram realizadas 3 edições da Feira Afrocriativa  que tem o objetivo  de mostrar o potencial do mercado afro, através da gastronomia, artesanato, moda, arte preta, música e os mais variados produtos e serviços da cultura afro-brasileira. 

Afroempreendedorismo

Algumas características são necessárias para um negócio ser considerado um afronegócio. São elas: valorização da cultura diaspórica e afro-indígena; um olhar para a ancestralidade; o negócio precisa ter uma visão afrofuturista, pois ele acredita que o afrofuturismo é a inovação do povo preto; afeto nas realizações que é uma percepção trazida pelo mulherismo africano; protagonismo de pessoas pretas; e o ponto mais atual que ele acrescentou na sua visão de afronegócio foi o olhar para a diversidade e a inclusão.

“Além disso, torna-se necessário criar modelos de afronegócios que gerem impacto social e que tenham o seu propósito bem definido, por isso criei uma metodologia cuja visão se baseia nesses princípios”, acrescenta.

Jonathan também é CEO da Formmer Afro Consultoria, uma iniciativa que visa oferecer consultorias e mentorias afrocentradas para afroemepreendedores, além de buscar reunir diferentes iniciativas de promoção de conhecimento e apoio ao afroempreendedorismo, com atividades de autoconhecimento, ciclos de imersão criativa, aprendizagem, capacitações, consultorias especializadas na área da gestão, inovação e criatividade, workshops e realização de diversas iniciativas que promovem a inventividade e o networking, sem esquecer os aspectos técnicos fundamentais para criar e gerenciar um afronegócio.

Atividade para afroempreendedoras desenvolvida com apoio do Rede Cenafro. Foto: Oswaldo Bahi

Atualmente Formmer Afro Consultoria está sendo incubada na Motirô, plataforma para capacitar empreendedores de impacto desenvolvida pelo Impacta Nordeste e a Verda. Sobre essa experiência ele afirma que a incubação tem permitido criar novas conexões, além do acesso a informações que podem melhorar na condução do seu afronegócio. “As capacitações realizadas na Motirô tem trazido profissionais com experiência e que nos fazem pensar que é possível ter um modelo de negócio que possa gerar impacto social sem abrir mão da nossa regionalidade, mas desenvolvendo um pensamento e visão global”, afirma.

A Formmer Afro é um modelo de negócio afrocentrado que visa oferecer um serviço pioneiro de consultoria/mentoria para afroempreendedores, baseando-se nos pilares: da ancestralidade – conexão com o eu; pertencimento – sociedade e propósito; enraizamento – ideação e criatividade; afrofuturismo – inovação prototipagem; aquilombamento – rumo aos novos caminhos (comercialização).

Sobre seus planos futuros, Jonathan afirma que eles já estão acontecendo. A Rede Cenafro passa por um processo de reposicionamento de imagem e recentemente lançaram o site.  Além disso, vão realizar mais uma edição do Festival Afrocriativo e capacitações voltadas para afroempreendedores ligados às áreas da economia criativa. Também estão desenvolvendo um projeto voltado para o fortalecimento dos terreiros de matriz africana denominada “Diálogos Afroempreendedores no Terreiro”, pois acreditam que estes possuem grande potencial para geração de impacto social em seus territórios de atuação. “Em um futuro próximo pretendemos ser um Hub de Criatividade Preta referência no Nordeste e que atue com inovação e impacto social”, finalizou.

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