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Visão para 2024: Ano da Economia de Impacto

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A necessidade de uma transição para um modelo econômico que não apenas busca o lucro, mas também se concentra nas pessoas e no planeta, está se tornando cada vez mais urgente. Com os efeitos das mudanças climáticas e as crescentes turbulências sociais, a Economia de Impacto emergirá como tema central em 2024. A convite do Impacta Nordeste, Ricardo Ramos, diretor-executivo, e Vitoria Junqueira, head de mobilização e relações institucionais da Aliança pelo Impacto, compartilham as principais tendências, na visão da organização, para o ecossistema de impacto em 2024.

Por Ricardo Ramos e Vitória Junqueira

O ano de 2024 se revela como um ponto crucial de virada para o nosso planeta e as estruturas econômicas consolidadas. O white paper “The Rise of Impact Economy”, do renomado Instituto UBS, destaca que a ênfase exclusiva na produção econômica não atende mais às demandas do mundo moderno. Como enfatiza o relatório, “The impact economy’s time has come” (a era da economia de impacto chegou, em tradução livre). Modelos econômicos que negligenciavam a finitude dos recursos naturais, mesmo durante períodos de crescimento, agora se mostram inadequados.

Transição Econômica: Da Economia de Produção para a Economia de Impacto

A mudança no foco econômico é um desenvolvimento contínuo, não uma mudança abrupta. A economia de impacto não busca apenas o lucro, mas, principalmente, está centrada nas pessoas e no planeta. Reconhecer a interconexão desses elementos é crucial, atribuindo valor tangível a cada um.

Perspectivas Promissoras para 2024 e o Papel do Brasil

Em um mundo desafiador, especialmente diante de metas multilaterais como a Agenda 2030 e o Acordo de Paris, o Brasil destaca-se em 2024. Ao sediar o G20 no Rio de Janeiro e a COP30 em Belém em 2025, o país tem a oportunidade única de liderar na resposta a riscos de longo prazo, demonstrando sua capacidade em desenvolver soluções regenerativas. Já avançamos de maneira significativa na agenda e nas iniciativas da Economia de Impacto em 2023, com a ambição de progredir ainda mais em 2024.

O relançamento da Estratégia Nacional da Economia de Impacto, com grupos de trabalho focados em pontos cruciais do ecossistema, como mobilização de capital, negócios de impacto, regulação e expansão da estratégia nacional para entidades sub-federativas, nos confere protagonismo nessa agenda global, fortalecendo a economia do futuro do Brasil e do mundo. Garantir que essa pauta avance e abranja todos os estados, regiões e municípios brasileiros é essencial.

Avanços na Mensuração e Reporte de Impacto

Com a relevância da agenda ESG, especialmente após a iniciativa da CVM com a resolução sobre relatórios de riscos ESG, tornando-se obrigatório a partir de 2026, o Brasil está trilhando caminhos sólidos na economia de impacto. O destaque está na mensuração e no reporte de impacto, uma das maiores tendências atuais da economia de impacto global.

Inovação Financeira: Filantropia Estratégica e Novos Modelos de Financiamento

A ascensão da filantropia estratégica, com o uso de venture philanthropy, e de instrumentos financeiros inovadores, incluindo blended finance, demonstra uma busca por soluções eficazes e acessíveis no campo da economia de impacto. É crucial ressaltar que, ao tratar de Economia de Impacto e desigualdades sociais e ambientais, devemos avaliar não pela ótica da escassez de recursos financeiros, mas sim por uma perspectiva de alocação. Menos de 0,5% de todos os Ativos sob Gestão (AUM) mundiais estão sendo investidos na Economia de Impacto, e hoje não temos mais tempo para uma transição gradual de investimento. O nosso ponto de inflexão é para ontem.

Brasil como Protagonista: Rumo a uma Economia Equitativa e Regenerativa

Enfrentando desafios globais complexos, o Brasil destaca-se como protagonista na transição para uma economia consciente e de impacto. As iniciativas e avanços indicam um caminho promissor em direção a um futuro regenerativo e equitativo. No entanto, é imperativo acelerar essa transição para evitar o ponto de não retorno, tanto para nós quanto para o nosso planeta.


Ricardo Ramos, diretor-executivo da Aliança pelo Impacto. Foi cofundador e diretor da Gove, startup de impacto que aumenta a eficiência fiscal nas administrações públicas no Brasil. É engenheiro de produção pela UFSCar, possui MBA internacional pelo INSEAD (Cingapura e França) e mestrado em Liderança e Gestão Pública pelo CLP, com módulo internacional na Blavatnik School of Government (Universidade de Oxford/Inglaterra).

Vitoria Junqueira, head de mobilização e relações institucionais da Aliança pelo Impacto. Entusiasta do empreendedorismo e da possibilidade de capacitar as pessoas através do trabalho e da igualdade de oportunidades, acredita no potencial econômico das mulheres, na igualdade de gênero e raça no mercado de trabalho, e na construção de um setor público mais responsável e com melhores tecnologias para gestão. Formada em Administração de Empresas pela FEA-USP, com foco em marketing, gerenciamento de projetos e novos modelos de negócios. Especialista em Gestão de Políticas Públicas pelo Insper. 

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