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A importância do planejamento estratégico, tático e operacional

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Uma das coisas mais importantes que aprendi com o mundo corporativo foi a necessidade de estruturar os processos internos da organização e analisar o contexto externo, a fim de agir de maneira mais eficaz e efetiva. E isso se dá não somente para “dar conta do serviço”, mas para que a comunicação entre a equipe e as ações sejam claras e estejam alinhadas à missão, às metas e aonde se quer chegar.

Por isso, geralmente em meados de outubro a dezembro, é comum encontrar organizações que desejam elaborar seu planejamento para o ano subsequente, mas que ainda não amadureceram a ideia de iniciar o planejamento estratégico do seu negócio.

Nesse sentido, trago brevemente as definições entre o planejamento estratégico, tático e operacional; a importância destes para o crescimento das organizações que desejam impactar positivamente a sociedade; e cito algumas ferramentas que podem te ajudar no ato de planejar.

Saber para onde ir…

O princípio de tudo são as reflexões sobre onde você quer chegar e o que você almeja para o seu negócio.  É a partir disso que você começa a tirar o sonho da cabeça, para transformá-lo em ideia no papel e, posteriormente, constrói um planejamento estruturado, que possibilite a implementação de ações internas e a análise do contexto externo, assim como fazemos no planejamento estratégico.

Para tal, é essencial pensarmos que diferentemente dos negócios convencionais que tem como objetivo exclusivamente os resultados financeiros, os negócios sociais consideram inúmeros outros aspectos, os quais consideram políticas públicas, níveis de mobilização, as subjetividades das pessoas envolvidas na cadeia do negócio etc. Por isso, estruturar e organizar seus processos é um passo imprescindível para transformar a realidade e gerar impacto socioambiental positivo. 

Planejamento estratégico

Ao iniciar uma consultoria com uma nova organização, até mesmo antes de apresentar meu trabalho, um dos meus primeiros passos é ouvir o que o cliente deseja, precisa e entende sobre o seu escopo de trabalho. E para além de uma conversa inicial, esse é o momento mais importante: o primeiro encontro. Porque é aqui que recebo um panorama sobre a visão de futuro da organização, os fatores internos e externos (que são as premissas de riscos) e também são compartilhadas informações sobre a missão e os valores de tal organização.

Por isso, costumo dizer que o planejamento estratégico é o começo de tudo! E a ausência dele pode gerar uma estagnação do seu negócio e transformá-lo em um verdadeiro corpo de bombeiros, ou seja, um negócio que age na urgência e se mantém de prontidão para apagar fogo. Assim, destaco que agir no imediatismo ou a curto prazo faz com que não tenhamos uma visão clara sobre os benefícios e os malefícios cuja determinada decisão/ação pode gerar a longo prazo.

Dessa forma, quando falamos de planejamento estratégico, devemos pensar a longo prazo, ou seja, trabalhar com a referência de ações que devem ser realizadas de  5 a 10 anos. Além disso, tais iniciativas devem trazer uma visão mais ampla da organização sem ações muitos detalhadas.

É nessa fase que ferramentas como o “Teste de Validação de Missão, Visão e Valores” pode ser usada, a fim de orientar essa reflexão.

Planejamento tático

Já no Planejamento tático, o processo de detalhamento é iniciado através da ênfase na criação de metas e condições para que as ações elencadas no planejamento estratégico sejam realizadas.

Normalmente, o “prazo de validade” de tal planejamento vai de 1 a 3 anos, mas deve ser revisitado sempre que a equipe avaliar que as metas devem ser revisadas. 

Além disso, aqui também podem ser elaborados o Marco Lógico da iniciativa, a Matriz de Indicadores e a Teoria da Mudança do negócio de impacto, a fim de nortear todas as atividades da organização.

Planejamento operacional

É aqui que as ações serão traçadas baseados nas metas criadas no planejamento tático. Para isso, há um conjunto de ferramentas que podem apoiar a equipe na implementação e na execução das atividades que permitirão o alcance dos objetivos das decisões estratégicas, tais como um cronograma e os planos de ação.

Normalmente, o planejamento operacional tem uma validade de 3 a 6 meses e deve ser consultado pela equipe semanalmente.

E LEMBRE-SE:

Os três planejamentos têm seu papel e devem ser construídos de maneira integrada e interdependente. Por isso, a participação de todas as pessoas da equipe é de suma importância, além de incentivar o comprometimento com o alcance das metas e objetivos.

Juliana Serafim é Mestra em Linguística (UFPE), Gerente de Projetos de Impacto e Inovação Social (PMD Pro/PM4NGOs), Especialista (e apaixonada) em Matriz de Indicadores, Planejamento Estratégico, Monitoramento e Avaliação de Impacto de Projetos e Negócios Socioambientais e Professora da Educação Básica. Já atuou como Consultora de organizações como a ONG The Nature Conservancy , da start-up Mete a Colher, do Núcleo de Gestão do Porto Digital e da ONG Somos Professores.