Impacta+Negócios de impacto

“Atuar na nova economia é compreender que empresas devem gerar valor compartilhado”

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O Sebrae RN, em parceria com o Impacta Nordeste, está mapeando os negócios de impacto socioambiental do RN. A iniciativa faz parte de um esforço coletivo para impulsionar o ecossistema estadual e vai colaborar para a construção de políticas públicas no ambito do CENIS. Conversamos com a gestora de desenvolvimento de Negócios de Impacto Social do SEBRAE/RN, Mona Paula Nóbrega, sobre os objetivos estratégicos do mapeamento e como essa iniciativa pode impulsionar a agenda dos negócios de impacto no estado.

O mercado dos negócios de impacto social tem crescido constantemente no Brasil. O último mapeamento nacional conduzido pela pipe.social identificou 1300 empresas de impacto no país, um crescimento de quase 30% em comparação com o levantamento anterior, realizado em 2019. A região Nordeste tem acompanhado essa tendência, inclusive aumentando a sua participação no cenário nacional.

O crescimento dos negócios de impacto no Nordeste é fruto da soma de esforços de diferentes atores como incubadoras, aceleradoras, academia, dinamizadores, organizações como o Sebrae, e também do setor público. Sobre este último, os estados do Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, já criaram ou estão em processo de criar legislações específicas para os negócios de impacto. O estado do Rio Grande do Norte é o que está mais avançado nesse processo, por meio da lei estadual nº 10.483 e a implantação do Comitê Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto Social (CENIS).

Com o crescimento do setor e a implantação de políticas públicas focadas, cresce também a necessidade de ampliar a compreensão sobre esse mercado e as necessidades dos empreendedores sociais a frente desses negócios. Nessa perspectiva, o Sebrae RN e o Impacta Nordeste estão promovendo o Mapeamento Sebrae de Negócios de Impacto Socioambiental do Rio Grande do Norte. A iniciativa vai gerar dados e informações estratégicas fundamentais para a elaboração de programas de fomento por parte do Sebrae e demais parceiros envolvidos, assim como colaborar para a criação de políticas públicas no ambito do CENIS, visando impulsionar os negócios de impacto no estado.

O mapeamento também traz uma inovação, sendo o primeiro do setor que será realizado “online e offline”. Os empreendedores podem participar acessando o site e preenchendo o formulário, mas também será realizada uma busca ativa de negócios com o apoio de consultores do Sebrae e parceiros do Impacta Nordeste, que vão identificar e visitar empresas que podem ser qualificadas como negócios de impacto, contribuindo para a disseminação do conceito e o fortalecimento dos negócios que proporcionam impacto positivo no estado.

Os empreendedores que participarem do mapeamento vão obter diversos benefícios, como: ter acesso a vagas para programas de capacitação, incubação e aceleração do Sebrae/RN; ter acesso à eventos e oportunidades do Sebrae/RN; ficar em evidência junto a possíveis investidores e parceiros; além de participar da comunidade de empreendedores do Impacta Nordeste, onde os empreendedores terão acesso a novidades do setor e oportunidades para desenvolver suas empresas.

A coleta de dados para o mapeamento teve início no dia 19 de julho e seguirá até 30 de setembro. Os empreendedores já podem participar preenchendo o formulário disponível no site riograndedonorte.impactanordeste.com.br. Os resultados serão divulgados em evento previsto para o dia 15 de novembro.

Para compartilhar mais detalhes sobre essa iniciativa inovadora, conversamos com a gestora de desenvolvimento de Negócios de Impacto Social do SEBRAE/RN, Mona Paula Nóbrega, que falou sobre a importância do mapeamento e como será a condução de todo o processo.

IN – Qual o objetivo ao realizar esse mapeamento?

MPN – O objetivo do mapeamento é compreender o número e o tipo de negócios de impactos socioambiental que existem no Rio Grande do Norte depois de quase 5 anos de atuação do Sebrae na área. Além da atuação do CENIS, precisamos compreender o quanto esse número de negócios cresceu nos últimos anos e se de fato no Rio Grande do Norte existem negócios com esse objetivo que alinhar um propósito e lucro. Entendendo esses dados podemos inclusive apoiar melhor esses empreendedores, desenvolver novas políticas públicas e mostrar para o Brasil o que o Rio Grande do Norte possui em termos de negócio de impacto. 

IN – O que se pretende realizar com os dados que serão apurados?

MPN – Com os dados apurados, que além de servir de referência para desenvolver políticas públicas e novos programas de apoio, nós iremos desenvolver um e-book com todas as informações para dar visibilidade a esses dados e mostrar a reação do Estado do Rio Grande do Norte em termos de negócios de impacto. Assim teremos um estudo com dados reais que quando comparado com outros mapeamentos nacionais, em que o Rio Grande do Norte não aparece, mostrará que temos um número significativo de negócios de impacto.

IN – Como o mapeamento será realizado? 

MPN – O mapeamento vai acontecer de forma online e offline. Para participar e identificar seu negócio de impacto basta acessar a página do mapeamento no portal Impacta Nordeste ou no Sebrae ou direto no link riograndedonorte.impactanordeste.com.br até o dia 30 de setembro. O mapeamento off-line ocorrerá através de um time de consultores, agentes de desenvolvimento e agências do Sebrae presentes em 9 municípios do RN que identificarão e aplicarão o mapeamento com esses empreendimentos.

IN – Qual o diferencial desse mapeamento em comparação com outros realizados no campo dos negócios de impacto?

MPN – Esse mapeamento não tem como objetivo apenas mostrar o número e os tipos de negócios de impacto que temos no RN, mas também de disseminar tais modelos de negócios em nosso estado através do exemplo, estimulando que outras empresas possam conhecer e contribuir com a agenda. O diferencial dele enquanto iniciativa é o fato dele ocorrer on e off, buscando em campo realidades e negócios que atuem com as características dos negócios de impacto. Não sendo portanto um processo passivo, onde aguardamos as empresas se inscreverem na página do mapeamento, mas iremos juntos com nossos consultores em campo buscar esses negócios ativamente.

IN – Quais benefícios trará para os negócios de impacto e para a economia do RN?

Os benefícios de participar do mapeamento são diversos, entre eles o acesso aos programas e editais das instituições de apoio às NIS e as políticas públicas de fomento aos negócios de impacto. Uma vez conhecendo esses empreendedores sociais potiguares uma rede é formada e fortalecida. Para a economia do RN, é de grande relevância negócios que olhem para os problemas sociais e ambientais do estado e transformem eles em oportunidades de negócios, reduzindo gargalos em diversos setores, gerando riqueza, renda e emprego. Atuar na nova economia é compreender que empresas devem gerar valor compartilhado, vislumbrando e atendendo as demandas de todos os envolvidos, isso inclui a sociedade, o meio ambiente , os proprietários e os clientes, ou seja, todos os envolvidos. Negócios de impacto atuam dessa forma, alinhando propósito e lucro.

IN – Atualmente já se tem um número de negócios de impacto no RN?

O número de negócios de impacto no RN é um dado relativo hoje. O Sebrae RN atende há 5 anos esse público e atua junto ao CENIS para aumentar esse número de empresas. Pelos nossos editais já passaram mais de 150 empresas que de alguma forma atendem dois ou três dos quatro critérios básicos que caracterizam os NIS. Acreditamos que esse número é maior e por isso iniciamos o processo de mapeamento.

IN – Como está sendo a atuação do CENIS nesse processo? De que forma o mapeamento poderá ser útil para o trabalho do CENIS?

Para o CENIS será de grande importância, por dois motivos principais. Primeiro, conhecer os tipos de negócios e suas atuações ajudará a criar políticas mais adequadas que atendam, de fato, as necessidades dos empreendedores que atuam nesse modelo de negócio, além de mostrar quais os problemas são o foco das empresas e assim poder direcionar outros esforços do comitê. O comitê também visa o reconhecimento dos empreendimentos classificados como NIS, dando visibilidade, para toda a sociedade e agentes públicos e privados, que aquele empreendimento é um negócio de impacto, e portanto entrega valor diferenciado, o que futuramente deve gerar benefícios e concessões específicas por assim atuarem.

IN – Como funciona a parceria com o Impacta Nordeste? Como vê a atuação da plataforma no incentivo ao crescimento dos negócios de impacto na região?

O Impacta Nordeste é um importante ator do ecossistema de impacto do nosso estado, e a nível nacional desempenha um papel de conexão com os demais ecossistema de Impacto do Brasil. 

A plataforma Impacta Nordeste joga luz nos esforços do RN para com os negócios de impacto, comunicando para os demais atores nacionais a atuação do estado e das instituições potiguares com o tema. A iniciativa do empreendedor Marcello Santo, que nasceu com os programas de aceleração para NIS do Sebrae RN, hoje atua como parceiro importante no fomento aos negócios sociais. O mapeamento é uma dessas parcerias esse ano, mas juntos já realizamos eventos, capacitações, demoday e outras iniciativas.

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