O impacto social positivo da meliponicultura no Nordeste

8 de outubro de 2020

Por Impacta Nordeste


A extração de mel e comércio de abelhas derivado da meliponicultura desempenham papel de transformação social e preservação ambiental para dezenas de produtores rurais da região Nordeste.

A meliponicultura é uma atividade que consiste na criação de abelhas melíponas (sem ferrão), muito comuns no Brasil, para extração de mel e derivados. Entre as espécies encontradas por aqui estão a Uruçu, Jataí, Mandaçaia, Tiúba, Jandaíra e Tubí. 

A prática da meliponicultura é incentivada no Brasil principalmente pela segurança e facilidade na cultura de abelhas, que poder feita em qualquer lugar e sem grandes investimentos, mas com bom retorno financeiro.

Uma caraterística interessante das espécies melíponas é que são animais “independentes”, logo, não há necessidade de cuidados para serem alimentadas, por exemplo.

Apesar do crescimento da apicultura no Brasil nos últimos anos, a meliponicultura se mantém viva entre as famílias, cooperativas agrícolas, assentamentos, comunidades indígenas, quilombolas e produtores rurais de todo o Brasil muito em função das iniciativas promovidas por instituições de impacto social.

Além de ser uma alternativa para garantir a própria fonte de renda, a meliponicultura contribui para a preservação da espécie e mantém o ecossistema em equilíbrio, já que as abelhas são responsáveis pela polinização da flora nativa e árvores frutíferas.

Meliponicultura no Nordeste

As queimadas que vem devastando algumas regiões do Brasil neste ano trouxe à tona a preocupação com a possível extinção das espécies de abelhas nativas. Pensando em conscientizar os produtores de mel da região Nordeste sobre o assunto, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) vem realizando um trabalho focado entre as cooperativas atendidas pela ONG através de assessoria e conteúdo online sobre a meliponicultura.

Aula de Meliponicultura da Rede Néctar (Foto: Adel)

Uma das cooperativas assistidas pela Adel é a Rede Néctar do Sertão, localizada no semiárido cearense. Ao todo, a Rede Néctar reúne 70 produtores de algumas comunidades rurais dos municípios de Apuiarés e Pentecoste que veem na atividade uma oportunidade de preservação ambiental e valorização do bioma Caatinga.

Em Lagoa das Pedras, comunidade do município de Apuiarés, os meliponicultores são responsáveis por uma reserva ambiental onde são plantadas diversas espécies nativas, como aroeira, angico e pau d’arco, conhecido como ipê. A escolha das espécies foram estrategicamente pensadas devido sua afinidade com a abelha Jandaíra.

De acordo com a diretora de programas da Adel, Aurigele Alves, o foco de atuação nessas comunidades tem sido a organização da produção. “Atualmente, os investimentos estão voltados para ampliação de caixas de enxames pensando no crescimento das capacidades produtivas. A expectativa é que, em um futuro próximo, esses meliponicultores consigam atender uma maior fatia do mercado de uma forma mais organizada”, explica.

A coordenação da Rede Néctar do Sertão se responsabiliza em manter a Adel informada das ações feitas nessas comunidades para que aconteça todo o suporte de orientar e assessorar esses produtores, inclusive, na hora da comercialização.

Entre 2018 e 2019, a Adel também desenvolveu ações para ajudar os meliponicultores da comunidade Cabeço, em Jandaíra, Rio Grande do Norte. Cerca de oito famílias integrantes da Associação dos Jovens Agroecologistas Amigos do Cabeço (JOCA) foram beneficiadas com unidades de criação de abelha nativa, além de equipamentos de processamento e envase do mel. Na ocasião, a Adel realizou oficinas com 26 jovens sobre boas práticas de processamento e técnicas de comunicação e marketing aplicadas à agricultura familiar.

Além disso, cerca de 192 colmeias foram instaladas. Essa ação foi realizada por meio do Programa EDP Renováveis Rurais, iniciativa da EDP Renováveis, parceira da Adel. Atualmente, o grupo segue engajado nas atividades produzindo e preservando a abelha nativa no território.

Processo de produção do Mel de Jandaíra (Foto:Ybí-ira / Arquivo pessoal)

Outra empresa de Jandaíra que se destaca na meliponicultura é a Ybí-ira. Criada por jovens sertanejos que buscavam novas alternativas econômicas a partir do resgate da meliponicultura, a Ybí-rá realiza um trabalho de preservação da caatinga em Jandaíra chamado Jardins Caatingueiros Melíferos. A iniciativa permite que o ambiente torne-se favorável para alimentação natural (polinização das flores da caatinga) das abelhas nativas nos períodos de estiagem.

Francisco Melo, criador da Ybí-ira, identificou a oportunidade de criar o negócio a partir dos recursos da biodiversidade local, aliando a preocupação em recuperar e proteger o patrimônio genético. Com a ajuda do Sebrae RN, estruturou a empresa como um negócio de impacto social onde passou, além de produzir mel e derivados com sabor único, a apoiar o trabalho dos jovens agroecologistas da associação local.

Ainda no RN, na cidade de Mossoró, outra empresa que se destaca na meliponicultura é Mangangá Produtos. Idealizado pelo engenheiro agrônomo Victor Hugo Pedraça, a cooperativa atua na comercialização de abelhas nativas e produtos derivados do mel extraído da abelha Jandaíra. Essas e outras iniciativas contribuem para o fortalecimento da meliponicultura no país, a ampliação da produção e preservação ambiental.

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