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Viva Celina reúne sustentabilidade e moda sem gênero em seus produtos

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Os finalistas regionais do Mapeamento Sebrae de Economia Criativa do Nordeste, promovido pelo Sebrae em parceria com o Impacta Nordeste e busca e seleção da Pipe.Social, foram divulgados no mês de novembro.

A chamada teve o objetivo de promover a economia criativa da região e premiou empresas constituídas em quatro áreas: consumo, cultura, mídias e tecnologia. Foram mapeadas mais de 515 empresas baseadas em capital intelectual e cultural e na criatividade que gere valor econômico.

A Viva Celina, marca de moda da Paraíba, foi a vencedora da categoria consumo. A empresa incentiva a sustentabilidade e a diversidade, criando peças que trazem liberdade e não definem gênero como masculino ou feminino, além de adotar um processo de produção mais sustentável.

Maria Celina Pessoa, CEO e Diretora Criativa (à esquerda) e Marlene Santos, Costureira da Viva Celina (à direita). Foto: Arquivo pessoal

Para Maria Celina Pessoa, CEO e diretora criativa da Viva Celina, o reconhecimento e o incentivo à criatividade e ao empreendedorismo das novas empresas é muito importante. “A Economia Criativa é um aporte para o desenvolvimento da cultura e reconhecimento de nossa região, servindo como uma ponte para o desenvolvimento social e econômico. Unir tantas áreas que podem fazer esse resgate de nossas memórias é incrível”, afirma.

Conversamos com a empreendedora para conhecer melhor o trabalho da Viva Celina, e falamos sobre o papel da moda na redução de desigualdades e como o setor tem se transformado em busca de um mundo mais sustentável. Confira!

Novas tendências

Forte e crescente tendência no mercado da moda, a Slow Fashion (“moda lenta”, numa tradução literal) surgiu ainda na década de 1990, na Itália, e se origina de outro movimento, o Slow Food, que sugere uma forma mais consciente de se alimentar. Ambos movimentos estão unidos em torno de hábitos de consumo mais responsáveis, valorizando os produtores locais e produção de itens com mais qualidade e durabilidade.

Além de adotar essa nova tendência, a Viva Celina também traz em seu conceito a moda sem gênero, também conhecida como genderless, que vem ganhando cada vez mais espaço nos guarda-roupas e apresenta peças planejadas, desenhadas e confeccionadas pensando no conforto e bem estar do público, respeitando a individualidade e a particularidade de cada um.

A Viva Celina trabalha com peças atemporais e sem gênero, pois acreditamos que só a vontade e a personalidade do consumidor devem influenciá-lo na decisão de suas compras, e não a cultura pré-definida do que homem e mulher devem vestir. Nossa marca tem o intuito de levar moda, informação e propósito, buscando o equilíbrio em toda sua cadeia de produção, desde a escolha de matéria prima até a venda final.

Maria Celina Pessoa, CEO e diretora criativa da Viva Celina
Maria Celina e seu ateliê. (Foto: Arquivo pessoal)

Acompanhando a disposição em seguir pelo caminho da sustentabilidade, a empresa compensa o resíduo gerado pelas embalagens dos produtos enviados aos clientes com a certificação Eu Reciclo, uma parceria com cooperativas que reciclam o equivalente ao número de embalagens geradas pela marca.

Com dois anos de mercado, a marca nasceu dos sonhos e inquietações de sua criadora e da ideia de se buscar um estilo de vida voltado para o equilíbrio: natureza e vida urbana, manual e tecnológico, global e local. Onde um complementa o outro. 

“Nossa missão é incentivar nossos consumidores a buscarem mais informações sobre os pilares do consumo consciente e de práticas sociais e sustentáveis. Além de fomentar a moda autoral através da memória, tradições e cultura, e assim valorizar nosso produto, nosso público e todos os envolvidos no desenvolvimento de nossas peças “, afirma.  

O papel social da moda

Para Maria Celina ser sustentável no mundo da moda ainda é um desafio, pois ainda é difícil encontrar fornecedores de matéria-prima sustentável e de qualidade. “Nosso maior desafio é chegar a uma produção o mais sustentável possível. Estamos sempre buscando por uma produção mais limpa e justa. Por isso optamos por fornecedores locais e certificados e temos nossa produção toda realizada em nosso ateliê”. 

Ateliê Viva Celina. (Foto: Arquivo pessoal)

A concorrência é classificada por ela como desleal, principalmente, por ter que competir com uma indústria que vende roupas a preço irrisório, produzidas em condições precárias. “Um exemplo são as roupas produzidas em países como Bangladesh, onde não há nenhum tipo de segurança para quem produz essas peças”, alerta. 

No entanto, é crescente a parcela de consumidores que estão cada vez mais informados e exigentes na busca por saber em que condições foi produzida a roupa que ele compra e usa. A tendência é confirmada por uma pesquisa feita pelo Mercado Livre, feita entre junho de 2019 e maio deste ano, que mostra um aumento de 55% na busca por produtos sustentáveis. No Brasil foram 1,4 milhão de consumidores que compraram produtos com uma proposta sustentável.

A CEO da Viva Celina está ciente dessa tendência e fala da importância para o consumidor em saber quais impactos seu consumo gera. “Trabalhar com produtos sustentáveis atualmente é fundamental, pois nosso planeta tem recursos finitos e o descarte gerado pelas indústrias e pela população é imenso. Não poderia ser diferente com a moda, visto que a indústria de vestuário é uma das que mais poluem. A indústria e os criadores precisam repensar seus produtos e os impactos que geram. É nossa obrigação”, reforça.

Desafios do presente e do futuro

Ensaio da coleção de dezembro 2019. (Foto: Arquivo pessoal).

Os maiores desafios encontrados pela empresa, até o momento, são mostrar o diferencial do produto, a obtenção de crédito e dar visibilidade para o negócio. A possibilidade de atuar e vender em todo o Brasil por meio do e-commerce é uma das formas encontradas para superar essas dificuldades. 

Como planos de continuar aprimorando a presença da empresa nessa nova vertente de consumo sustentável, Maria Celina diz que quer implantar na Viva Celina a logística reversa. “Assim daremos destino a um produto Viva Celina que o cliente não usa mais e fecharemos o ciclo do produto”, explica.

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