Opinião

Colaboração e Rede para impactar a sociedade

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Por Edgard Barki

Estamos em um momento econômico e social com muitos desafios. As desigualdades existentes estão, há muito tempo, muito além do que é aceitável. As intolerâncias políticas percebidas no mundo, as questões ambientais e as desigualdades sociais mostram uma sociedade que está doente, com problemas profundos e estruturais.

A mudança é urgente e demanda soluções inovadoras e de diferentes atores. Estado, sociedade civil e empresas privadas devem buscar soluções em conjunto para conseguirmos uma transição cada vez mais rápida do nosso modo de viver, consumir e se relacionar.

Por isso, vemos um crescimento (mesmo que ainda tímido) das articulações entre diferentes organizações, com formatos distintos, mas que têm um propósito comum. Essas coalizões trabalham em rede, potencializando as competências de cada entidade e criando sinergias em suas atuações de forma que o resultado é maior do que a soma das ações individuais de cada um.

Dentre várias outras colaborações em rede, a ANIP (Articuladora de Negócios da Periferia) é um desses exemplos. A partir do sonho comum de três organizações de derrubar os muros sociais existentes, ela criou um programa de apoio a empreendedores sociais de periferia que começou em 2018 apenas na zona sul da cidade de São Paulo e, em quatro anos, tem uma atuação nacional.

Leia também: Entrevista com DJ Bola: “Articular o protagonismo dos negócios de impacto das periferias do Brasil é a nossa missão”.

A ANIP foi criada por três instituições com perfis distintos, mas complementares: A Artemisia que é uma organização pioneira na aceleração e apoio de negócios de impacto no Brasil. A Banca, que é uma organização social localizada no Jardim Ângela, com grande presença e conhecimento das questões sociais da periferia e o FGVcenn (Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV), que traz uma visão mais cientifica e acadêmica para as ações da ANIP.

Isoladamente, nenhuma das 3 organizações teriam o potencial de atingir tão profundamente os empreendedores sociais das periferias do Brasil. Mas em conjunto, e principalmente, articulando-se com outras dezenas de organizações, a ANIP é capaz de apoiar, estar próxima e ser mais um agente de transformação nesse ecossistema.

A ANIP é um exemplo de que temos que buscar mecanismos de atuação que mudem os paradigmas de operação e funcionamento das organizações para que em rede e colaboração possamos fazer a diferença que o mundo precisa.

Esse artigo foi produzido exclusivamente para a série especial Da ponte pra cá – Conexão Periférica SP/Nordeste, uma collab do Impacta Nordeste com a ANIP em preparação para o Festival de Negócios de Impacto da Periferia edição Norte e Nordeste. O evento gratuito e online, vai acontecer nos dias 30 de setembro a 02 de outubro e contará com a presença de empreendedoras e empreendedores de destaque que estão na correria trabalhando e fazendo acontecer nas quebradas, periferias, favelas, comunidades, vielas, becos, aglomerados, mocambos, quilombos, aldeias e reservas do Norte e Nordeste do Brasil. Para participar basta se inscrever no site: https://conteudo.articuladoranip.com/fnip-nortenordeste

Edgard Barki é Professor da FGV-EAESP. Doutor e Mestre em Administração de Empresas pela FGV-EAESP. Coordenador do FGVcenn (Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios). Conselheiro de organizações do terceiro setor e de negócios de impacto. Autor de diversos artigos em revistas nacionais e internacionais nas áreas de empreendedorismo social e base da pirâmide. Co-organizador dos livros “Negócios de Impacto socioambiental no Brasil”, “Negócios com Impacto Social no Brasil” e “Varejo para a baixa renda”. Co-autor do livro “Varejo no Brasil”.

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