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Cordel une educação e empreendedorismo por meio da tecnologia e da ludicidade

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Startup criada por jovens de escola pública de Recife (PE) busca transformar os cenários de aprendizagem por meio da união da educação com a tecnologia utilizando práticas e ferramentas gamificadas. Essa matéria faz parte da série especial Da ponte pra cá – Conexão Periférica SP/Nordeste, que vai mostrar o potencial de inovação e resiliência de empreendedoras e empreendedores da periferia no Nordeste

Por Danielle Leite
Edição Marcello Santo

A startup Cordel foi fundada em 2019, por um grupo de alunos do ensino médio da Escola Técnica Estadual Cícero Dias, em Recife (PE). Com a missão de transformar os cenários de aprendizagem por meio da união da educação com a tecnologia, a startup trabalha com práticas e ferramentas – digitais ou analógicas – baseadas em jogos e gamificação. 

A Cordel busca desenvolver a união entre a educação e o empreendedorismo, criando novas formas de ensino através de jogos e experiências lúdicas. Um dos primeiros projetos da empresa foi o game “O Pequeno Cabra da Peste”, um jogo baseado no livro O Pequeno Príncipe em Cordel, de Josué Limeira da Silva, e que apresenta a cultura nordestina e seus desafios.  

Time da Cordel (Foto: Arquivo pessoal)

O CEO da startup, é um jovem de 19 anos, Vinnícius Rodrigo. Ainda durante o ensino médio, o projeto desenvolvido em sala de aula foi selecionado para participar de um programa de dez semanas de aceleração no Porto Digital, que é um dos principais centros de inovação do país, em parceria com o British Council. 

Ele também foi selecionado entre os 15 primeiros colocados, no evento Peter Drucker Challenge, na Áustria, na categoria de empreendedores e gerenciadores, e também foi aprovado em uma academia de liderança na Colômbia.

Falta de acesso a tecnologia nas escolas da periferia do Brasil

Vinnícius conta que a área de jogos e de tecnologia não fazia parte da sua rotina. Tudo teve início na escola, durante o ensino médio, a partir de projetos desenvolvidos para o curso técnico de Programação de Jogos Digitais. 

“Meu principal lema como jovem é de não permitirmos que a tecnologia seja mais um elemento de desigualdade social”

Segundo ele, poucos jovens no Brasil e principalmente nas periferias tem acesso a oportunidades para desenvolverem carreiras ligadas à tecnologia nas periferias. “Meu principal lema como jovem é de não permitirmos que a tecnologia seja mais um elemento de desigualdade social. Tenho procurado através do meu exemplo, na área de TI, inspirar outras pessoas acerca disso”, disse Vinnícius.

“Aqui em Recife temos o privilégio de ter o Porto Digital que tem trabalhado para incluir estudantes de escolas públicas – que na maioria das vezes são de periferia – no mercado de tecnologia. O fato é que esse mercado está superaquecido e falta mão de obra qualificada. Temos pessoas que podem ocupar essas vagas, mas sem o apoio do setor público fica difícil dar acesso aos mais pobres”, continua.  

Jogo pedagógico desenvolvido pela Cordel (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo Vinnícius a tecnologia empodera e nos torna capazes de ter mais empatia e resolver os problemas reais. “Já fui pré-selecionado para um programa da Câmara dos Deputados e escrevi um projeto de lei exatamente sobre o ensino de programação e robótica nas escolas e seus benefícios. Ainda tem muito a ser feito e temos que correr para isso, o foco deve ser investir nas escolas para que estejam bem equipadas”.

O futuro da Cordel

A Cordel tá na fase de product fit no ciclo das startups, que é a etapa que o empreendedor sabe que o seu produto ou serviço satisfaz a real necessidade do mercado. Tanto é verdade que a empresa já está atendendo clientes de Pernambuco e também de outros estados. “Estamos trabalhando com órgãos de educação governamentais, uma secretaria de educação de um município aqui do estado, São Lourenço da Mata. Esse projeto em específico é para trazer inovação para a sala de aula por meio da tecnologia e ludicidade”.

Leia também: Entrevista com DJ Bola: “Articular o protagonismo dos negócios de impacto das periferias do Brasil é a nossa missão”.

Sobre os próximos passos da Cordel, Vinnícius afirma que espera que a startup cresça cada vez mais e também deseja incluir outras pessoas no time para aumentar o impacto educacional com os projetos de tecnologia. “Nosso time é bem engajado nos processos e são os principais responsáveis em nosso desenvolvimento enquanto empresa. Espero desbravar e aprender mais como empreendedor e aumentar nosso número de clientes. Também estou no movimento de ir atrás de ventures, que possam realizar investimentos na empresa. Ainda temos dificuldades, coisa comum, principalmente para nós que acabamos de sair da escola e já estamos empreendendo”, finaliza.

Quer conhecer e se conectar com essa e outras iniciativas inspiradoras da periferia no Nordeste? Nos dias 30 de setembro a 02 de outubro, a ANIP vai promover o Festival de Negócios de Impacto da Periferia edição Norte e Nordeste. O evento gratuito e online, contará com a presença de empreendedoras e empreendedores de destaque que estão na correria trabalhando e fazendo acontecer nas quebradas, periferias, favelas, comunidades, vielas, becos, aglomerados, mocambos, quilombos, aldeias e reservas do Norte e Nordeste do Brasil. A Cordel estará lá, e você?! Para participar basta se inscrever no site: https://conteudo.articuladoranip.com/fnip-nortenordeste

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