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Instituto Povo do Mar: educação, esporte e solidariedade na formação de jovens

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Fundada por quatro amigos surfistas que testemunharam as dificuldades enfrentadas pelas crianças na praia do Titanzinho, em Fortaleza, o Instituto Povo do Mar surge como uma poderosa onda de transformação, combinando educação, esporte e solidariedade para moldar o futuro de crianças e adolescentes.

Na terra do sol e do vento, o surfe é um esporte bastante praticado nas praias cearenses. Foi frequentando a praia do Titanzinho, em Fortaleza, que 4 amigos surfistas perceberam as dificuldades enfrentadas pelas crianças da área e resolveram contribuir para o desenvolvimento humano dos pequenos.

Assim, nasceu o Instituto Povo do Mar, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) criada em 2010, que desenvolve ações socioeducativas transformadoras para crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos, visando a inclusão e mudança social, atuando nas comunidades do Serviluz e da Praia do Futuro. 

“A gente atua há 13 anos no território, começamos no Serviluz e hoje estamos aqui na Praia do Futuro. Nós trabalhamos no contraturno da escola com crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de acordo com três pilares: arte, educação e esporte. Desenvolvemos o socioemocional, habilidades e competências junto a educação integral sistêmica”, afirma Carlos Bezerra, coordenador educacional da instituição.

Crianças beneficiadas pelo Instituto. (Foto: Ipom/Divulgação)

Ao priorizar crianças, adolescentes e jovens como agentes estratégicos de transformação social, o Ipom contribui para o desenvolvimento da educação como um direito humano básico, e a conquista da cidadania. Os números revelam essa importância. Segundo o relatório de atividades de 2022, o Ipom atende 528 crianças e adolescentes, são fornecidas 64 mil refeições no decorrer do ano, 25 escolas impactadas com atuação da instituição, mais de R$ 1,6 milhão em recursos mobilizados e 14 projetos pedagógicos acontecendo em contra turno escolar.  

“Somos um polo da Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza e oferecemos esse programa integral para os jovens, que passam por todas essas atividades. Temos essa proposta de entrega para o desenvolvimento deles, de uma forma mais ampla, tanto do lado cognitivo mais detalhado quanto a parte física, então tudo é trabalhado aqui por meio desse programa”, ressalta Carlos Bezerra.

Formação humana e impacto na comunidade 

Os educandos do Ipom são incentivados a participarem de todos os projetos, passando por um ciclo de formação e vivência cidadã, estimulando valores para combater as desigualdades sociais como o amor ao próximo, a reflexão crítica e o respeito ao ecossistema ambiental. 

O local busca entregar um programa de atividades que promovem o desenvolvimento humano para crianças e adolescentes através do esporte como capoeira, surf, jiu-jitsu, educação física e skate; da arte com arteterapia, arte urbana e arte visual; e da educação, como inglês, educação ambiental e o universo digital.

A ausência de oportunidades de emprego para os jovens está diretamente ligada à falta de qualificação profissional. Por isso, os jovens do Ipom tem seu lugar de protagonismo com o projeto Reciclando Vidas que implanta ações de formação profissional e práticas socioambientais para pessoas de 15 a 29 anos. Eles atuam com base na Economia Solidária, aliando técnicas de empreendedorismo e turismo comunitário.

Atividade do Instituto Povo e Mar. (Foto: Ipom/Divulgação)

Outro destaque é o projeto Surfista Digital que atua como ferramenta de suplementação educacional por meio de tecnologias educacionais. O ensino do pensamento computacional e robótica permite que a aprendizagem seja atrativa, melhorando o rendimento escolar, potencializando habilidades e trabalhando atividades socioemocionais, como a colaboração, empatia e conhecimento sobre direitos civis, políticos e socioassistenciais.

“A gente diz que não somos uma grande onda do bem, mas, na verdade, um tsunami porque vamos impactando pessoas, trazendo essas pessoas para junto da causa e conseguindo fazer essa transformação, promovendo o acesso de crianças e adolescentes ao que lhe é de direito, à educação, ao esporte e ao lazer”, afirma Fabrini Andrade, diretora-geral, em entrevista ao Esporte Espetacular.

Pedro Henrique é um dos exemplos de como o amor e as oportunidades transformam a vida dessas crianças e adolescentes. O jovem, que foi um dos educandos do Ipom, se tornou estagiário e agora é contratado como assistente de mídias digitais da instituição.  

“Se o jovem com seus 20 anos está aqui com a gente trabalhando, atuando na educação do Instituto, acreditando no que eles receberam e contribuindo para os que estão chegando, é um sinal de credibilidade e confiança da sociedade e do próprio jovem”, concluiu Carlos. 

Prêmio Melhores ONGS

A instituição foi eleita a melhor organização não governamental do Ceará no Prêmio “Melhores ONGs” em 2023. O reconhecimento é oferecido a organizações que se destacam anualmente pela excelência em gestão, governança, sustentabilidade financeira e transparência. A escolha dos premiados é realizada por renomados especialistas em sustentabilidade e impacto social e ambiental.

Atividade com crianças. (Foto: Ipom/Divulgação)

Carlos acredita que o prêmio é fruto de uma sociedade que acredita no trabalho do Ipom. “Se as pessoas não acreditassem, a gente não estaria aqui e nem as mais de 400 famílias que confiam suas crianças na gente. Hoje nós temos um quadro de 42 funcionários e desses 10 são ex-alunos.”

Esta foi a terceira tentativa da organização de concorrer ao prêmio e após a conquista, o Ipom agradeceu a gratificação. “Cada gesto de apoio, cada sorriso compartilhado, construíram um caminho que nos levou a um destino grandioso. É com imensa alegria que anunciamos que fomos agraciados com o prêmio de Melhor ONG do Ceará. Uma conquista que vai além de palavras, é a materialização do impacto positivo que conseguimos realizar juntos”, em nota pelas redes sociais. 

Como doar

Para que tudo isso seja possível, os parceiros do Instituto, que é uma instituição de direito privado sem fins lucrativos, atuam firmemente com o mesmo propósito. Carlos destaca que costumam receber doações da iniciativa privada e até pessoas físicas, que ajudam na captação dos recursos. A maioria dos recursos para executar as operações da instituição vem de empresas.

“Nós temos projetos incentivados por meio de editais e a Prefeitura de Fortaleza cede esse espaço da Praça da Paz Dom Hélder Câmara, na Praia do Futuro”, explica Carlos. A organização também utiliza outras estratégias para economizar recursos, incluindo a utilização de energia solar, viabilizada por um parceiro, e a água é retirada do poço. A manutenção interna dos prédios fica por conta do instituto.

Apesar da organização possuir bons parceiros, os recursos são limitados. Você também pode apoiar a organização se tornando um Brother. Basta escolher uma das cotas, com diferentes valores mensais, para contribuir com a causa. Para doar, acesse o link: https://ipom.apoiar.co/.

Você também pode ser um voluntariado ou contribuir de outras formas. Saiba como clicando aqui. Todo recurso arrecadado é utilizado na compra de suprimentos, material escolar para os alunos, lanches, atividades de campo, e contribui para viabilização do atendimento de mais alunos.

Sara Café, é graduada em Comunicação Social/Jornalismo, especialista em assessoria de comunicação e formação em fotografia. Atua na área de inovação e impacto social através de trabalhos de jornalismo, redação e produção de conteúdo, mídias sociais, assessoria de imprensa e coberturas fotográficas. Bolsista de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Laboratório de Inovação do SUS no Ceará (2021) e do Observatório de Educação Permanente em Saúde (2022), projetos da Escola de Saúde Pública do Ceará. Produz entrevistas e matérias jornalísticas especializadas para o hub de negócios TrendsCE. Voluntária e Diretora de Comunicação do Instituto Verdeluz (gestão 2019 a 2022) e membra da Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência (RedeComCiência), da Rede Narrativas e integrante da Rede Linguagem Simples Brasil.

Sara faz parte da Rede Impacta Nordeste.

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